As interjeições são armas de longo alcance, mais certeiras do que mísseis do Hezbollah; Por Paulo Elpídio

COMPARTILHE A NOTÍCIA

“As armas e os varões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana…”
Luiz Vaz de Camões, Os Lusíadas

A Corte do Regente, em Mafra — futuro Dom João VI —, tinha como certa a chegada do general Junot, sob ordens napoleônicas, para a conquista da Lusitânia.

O Conselho de Estado reunia-se em estado permanente de vigília e exasperação patriótica:

“Napoleão verá do que somos capazes”, pensavam os ministros, solidários ao príncipe-regente. Todos em uníssona cumplicidade, ainda que recolhidos às suas sábias conveniências.

O Conselho abrigava figuras exponenciais da monarquia portuguesa — até generais “administrativos”, aqueles que haviam desistido de pelejar. Dentre os ministros, havia radicais que riam de Junot e do cerco longamente anunciado de Lisboa. E punham-se ao lado de uma resistência inegociável ao Corso.

Eram os ministros “ingleses”, que apoiavam a guerra da Inglaterra contra as hostes napoleônicas. Outros, os “franceses”, opunham-se a estremecimentos de tamanha magnitude e mostravam-se simpáticos a uma negociação de paz com Napoleão. Assim teriam ficado, a alisar ideias improváveis, não fosse a precipitação dos eventos — e a pressa de Junot, inquieto por mostrar serviço nos registros da História.

Como não se pusessem de acordo nas suas divergências, arrastaram os móveis e a biblioteca real para o cais de Lisboa, em ligeiras manobras de embarque em caravelas e brigues sob a bandeira do Reino Unido — rumo ao Brasil, a plantar uma nova civilização nos trópicos, que bem disso aquelas terras estavam precisadas…

Nosso “Napoleão”, em versão IA, cinco séculos transcorridos, a descoberto, sem o chapéu de dois bicos nem o seu ginete branco, ameaça desembarcar em Brasília, armado de ordenações condenatórias, com a Sétima Cavalaria do general Custer sob seu comando.

Os ministros e os oficiais da diplomacia resistem a qualquer acordo. Trabalham ainda, exaustivamente, na redação de um texto definitivo que ponha o invasor no seu devido lugar — sem adjetivos, advérbios, anacolutos, mesóclises ou… interjeições.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Aval de Lula consolida Cid Gomes como candidato ao Senado e aproxima definição da chapa governista no Ceará

O Duplo Twist Carpado de Mauro Filho

Obtuário: Cid Carvalho, uma voz que atravessou gerações da comunicação e da política cearense

A chapa dos sonhos do governismo no Ceará

Jogando na defesa e no ataque, Romeu Aldigueri se torna referência no enfrentamento com a oposição

Ceará como um dos elos da nova cadeia automotiva mundial e a bad trip da nossa política

O silêncio de Cid Gomes não é dúvida. É método.

Carta a Trump: Mais um grave erro político de Flávio Bolsonaro

Camilo e Luizianne reabrem canal político após anos de distanciamento

A aposta do Ibmec no capital humano cearense

Fortaleza domina Enem 2025: capital ocupa as 3 primeiras posições do BR e tem 4 escolas entre as 10 melhores

Ibmec chega a Fortaleza e firma Ceará como polo nacional de educação, inovação e negócios

MAIS LIDAS DO DIA

No data was found