
A eleição na Bahia, tão estratégica para o PT quanto a do Ceará, começa a ganhar contornos de alta competitividade. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (29) mostra empate técnico entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União).
No segundo turno, Neto aparece numericamente à frente, com 41% das intenções de voto, contra 38% de Jerônimo. A diferença, porém, está dentro da margem de erro de três pontos percentuais. Indecisos somam 12%, enquanto 9% declaram voto branco, nulo ou abstenção.
No primeiro turno, o cenário se repete. Com a inclusão de José Estevão, Neto tem 41% e Jerônimo, 37%. Sem o candidato do DC, os números são 41% a 36%. Ronaldo Mansur aparece com 1% em ambos os cenários.
Bases eleitorais e rejeição
O levantamento indica divisão clara de eleitorado. ACM Neto lidera entre bolsonaristas (61%), direita não bolsonarista (80%) e independentes (45%). Já Jerônimo concentra vantagem entre lulistas (63%) e eleitores de esquerda não alinhados diretamente ao ex-presidente.
Apesar disso, o petista enfrenta maior rejeição: 42% dizem conhecê-lo e não votariam nele. Entre os que afirmam conhecê-lo, 45% votariam. No caso de ACM Neto, 52% dizem que votariam, enquanto 32% afirmam rejeição.
Avaliação do governo e cenário aberto
A gestão de Jerônimo Rodrigues é aprovada por 56% dos entrevistados, com 33% de desaprovação. Ainda assim, há sinais de desgaste: a avaliação positiva caiu de 39% (agosto de 2025) para 37%, enquanto a negativa subiu de 23% para 25%.
Mesmo com a leve piora, 51% dos eleitores afirmam que o governador merece reeleição, contra 42% que discordam — indicador que mantém o petista competitivo.
Outro dado relevante: 47% dos eleitores dizem que ainda podem mudar de voto até outubro, o que reforça o caráter aberto da disputa.
Leitura estratégica
O cenário baiano espelha o que se desenha em outros estados-chave do Nordeste: polarização consolidada, vantagem numérica oscilante e alta taxa de eleitores ainda persuadíveis. Para o PT, manter a Bahia é tão simbólico quanto estratégico; para ACM Neto, trata-se de retomar protagonismo em um dos maiores colégios eleitorais do país.






