Bastidores da reunião do PDT Ceará: Pontualidade, ironia, André “enfurecido” e Cid determinado

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Reunião do PDT Ceará, no dia 13 de julho. Foto: Gabriel Amora

O senador Cid Gomes (PDT), recém-empossado presidente estadual do PDT Ceará, tomou as rédeas do partido na quinta-feira, 13. E qual foi o seu primeiro ato à frente do maior partido do Ceará? Que os aparelhos de ar-condicionado da sede da legenda fossem substituídos com “urgência”, já assumindo a primeira exigência.

“Tem que resolver isso urgentemente. Não dá pra ficar tão quente como está agora”, apontou. No momento, a sede está apenas com ventiladores funcionando. Logo após seu primeiro comando (público), Cid, questionado pelo Focus sobre a falta de apoio de seu irmão – o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) – reforçou, ao tirar o suor da testa, que “divergência familiar a gente resolve em casa”. 

Levantada a hipótese que evitava pronunciar o nome do irmão, Cid não se limitou e proferiu diversas vezes: “Ciro, Ciro, Ciro, Ciro, não tenho problema nenhum em falar o seu nome”, disparou. “Divergências políticas são resolvidas nas instâncias adequadas. Eu tenho uma posição clara de que a gente deve realinhar o PDT a esse conjunto de forças que vem governando o estado ao longo dos últimos 16 anos”, desviou do assunto. 

“Eventualmente, eu vou ter uma posição, e ele outra. Se tivermos essas divergências, elas serão tratadas no campo da democracia, em que o pensamento da maioria deve prevalecer. Vamos tocando as coisas. Até ouvi a opinião dele sobre o governo Elmano, mas vamos tocar de forma democrática”, enfatizou.

Além do deputado Guilherme Landim, compareceram também a deputada estadual e irmã de Cid, Lia Gomes (PDT); o deputado federal e presidente nacional interino do PDT, André Figueiredo; entre outros membros que integram o diretório pedetista no Ceará. Roberto Cláudio e Sarto não deram as caras.

Apesar da reunião ter sido marcada para 17h30, a grande maioria chegou antes de 16h. Cid chegou 16h15. O deputado Mauro Filho (PDT) foi o único a chegar alguns minutos depois, quase 16h45. Quando questionado se podia trocar uma palavra com os jornalistas, Mauro, também limpando o suor do rosto, disse: “Estou atrasado, fica pra depois”. 

Trinta minutos após o início da reunião, André se retirou da sala. Após sua saída repentina, o pedetista declarou que, para 2024, a meta é reeleger o prefeito José Sarto (PDT). A fala contraria o desejo de Cid. “O PDT é o maior partido do Ceará e precisamos cada vez mais consolidar esse caminho para reeleger o prefeito Sarto e fazer o maior número de prefeitos no maior número de municípios do nosso Ceará,” declarou André sem nenhuma papa na língua, completamente decidido. “O PDT nacional já deliberou que o nosso candidato em Fortaleza será Sarto”, reafirmou.

Questionado sobre o conflito de Evandro Leitão (PDT) contra o prefeito, em que o primeiro critica a gestão do segundo, André sorriu de forma irônica e enfatizou “que o conflito só tem um lado” e que “Sarto só não se candidata se ele não quiser”. Para não ser uma exceção, André era outro que estava suado.

Uma hora e meia depois e Cid continuava na sala. Pessoas envolvidas na organização confirmaram: “A reunião acabou faz tempo. Eles estão lá dentro conversando sobre outras coisas agora”. Com trinta minutos de diálogo, André não ficou na assembleia (provavelmente porque os assuntos em pauta não lhe interessavam ou porque tinha outro compromisso).

Nesse meio tempo, nada acontecia. Guilherme saiu apressado e não deu declarações. Mauro, que estava com a voz rouca, também não quis entrar nos detalhes do encontro. E, por último, um acidente aconteceu em frente ao prédio da sede. Uma moto, que dobrava a esquina, bateu em um carro que por sua vez bateu em outro. Após alguns minutos e troca de ofensas, todos foram embora.

Quando finalmente saiu, Cid ironizou a presença dos jornalistas. “Vocês ainda estão aqui?”, questionou enquanto organizava os papeis. “Vamos conversar rapidinho, porque eu tenho outro lugar para ir”, disse já com a chave do carro na mão.

Informado sobre o que André afirmou de que Sarto seria o nome do PDT, Cid o contrariou. “Primeiro é importante a gente definir o projeto, o que queremos para Fortaleza. Segundo é definir a aliança, quais são os partidos, as forças políticas que vão se fazer representar. Por último, o nome, a pessoa, isso é o de menor importância, ao mesmo tempo em que deve ser consequência desse esforço inicial de projeto, aliança e definição de nome”, disparou Cid. 

“De todos os 184 municípios, Fortaleza é o que mais me preocupa”, disparou. “Não perco as esperanças de poder ter uma candidatura que coloque como aliados PT e PDT na Capital, vou trabalhar nesta meta, respeitando as diferenças e opiniões, compreendendo que há disputas, mas esse será o supra sumo da minha responsabilidade. E eu não desisto fácil, não. Quero colocar um nome que eu tenha certeza absoluta que vai vencer”, disse sem citar o nome de Sarto.

Para isso, de imediato, o senador apontou que irá trabalhar com três grupos. De acordo com suas palavras, será montada uma comissão para dialogar com outras legendas, com preferência para “PT, PCdoB, PV, PSB, PDT e Rede, além de PP, PSD, Republicanos, MDB e Podemos”. Já a outra comissão será para levantar as possibilidades de candidaturas a prefeito nos 184 municípios cearenses. Por último, o terceiro grupo irá “solidificar o partido, organizando internamente”. “Quero fazer com que o partido tenha um direcionamento”, pontuou. “Quero tirá-lo da crise”. 

Para ouvir o senador, os ventiladores foram desligados. Constantemente, o pedetista olhava para os aparelhos de ar-condicionado no teto e limpava o suor. “O trabalho de reestruturar o PDT começou”, disse, apesar de estar visivelmente cansado, mas satisfeito com a sua posição.

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