
Edvaldo Araújo
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Ao criar e assumir a presidência do Aliança pelo Brasil, Jair Bolsonaro será o primeiro presidente da República, em regime democrático, a criar para si um partido político. Antes, apenas Getúlio Vargas e o Marechal Castelo Branco, durante o período que estiveram a frente da Presidência, criaram e entraram em partidos políticos após assumirem à Presidência.
Getúlio foi o idealizador do PTB, “um anteparo entre os sindicatos e os comunistas”, que surgiu em 1945, ainda sob o manto do Estado Novo, a ditadura varguista. Entretanto, após a criação do PTB, em maio de 1945, Getúlio permaneceu apenas cinco meses no cargo, vindo a ser deposto em outubro de 1945. Apesar de ser o idealizador do PTB, Getúlio não se tornou presidente do partido. O cargo coube ao deputado federal Paulo Baetas Neves. O partido foi o que mais cresceu no país no período e, em 1951, Getúlio Vargas, candidato do PTB, voltou ao cargo.
Já durante o regime militar, o partido que viria a abrigar o então presidente Castelo Branco nasceu fruto do Ato Institucional Número Dois, de 27 de outubro de 1965, e do Ato Complementar nº 4, de 20 de novembro de 1965, que acabou com pluripartidarismo no Brasil. A Aliança Renovadora Nacional, a Arena, foi fundada em abril de 1966, quando Castelo Branco já estava na Presidência. Porém, bem diferente do PTB e do agora Aliança pelo Brasil, a Arena era apenas, do ponto de vista nacional, uma formalização para que os presidentes do regime militar pudessem apresentar a candidatura ao Congresso. O centro do poder não estava na política partidária.
No período democrático, todos os presidentes da República vieram de partidos já consolidados, de Sarney a Michel Temer (por coincidência, ambos vices que assumiram e ambos do PMDB). Todos iniciaram e terminaram seus mandatos no mesmo partido.
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