Derrite diz que ter PMs em firma de segurança é irregular e será apurado

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Dep. Federal Capitão Derrite

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou que não tinha conhecimento sobre a atuação de efetivo e equipamento da Polícia Militar a serviço da CampSeg, empresa privada contratada para fazer a segurança da ferrovia da região do Porto de Santos. Segundo ele, o caso, revelado pelo Estadão, será apurado pela corporação. O secretário disse ainda que os policiais envolvidos estavam de folga e não foram cedidos com aval do Estado.

“Se isso efetivamente aconteceu, vai ser apurado, (porque) não é permitido pelo próprio regulamento da Polícia Militar, não era do nosso conhecimento”, afirmou Derrite ontem durante evento em que o governo apresentou o resultado dos 100 primeiros dias de trabalho.

Tanto Derrite quanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defenderam ser necessário o reforço do Estado na segurança dos trilhos daquela região, que sofre com roubos de carga e vandalismo. Segundo eles, deve haver apoio “institucional” do governo para preservar a linha férrea e a competitividade do Porto de Santos.

Como revelou o Estadão, a CampSeg, contratada para fazer a segurança da ferrovia na região do porto de Santos, arregimentou policiais militares, agentes prisionais e guardas civis para auxiliá-la na função. Vídeos e cópias de conversas de WhatsApp do grupo da empresa mostram indícios de desvio de viaturas para patrulhar a linha férrea em áreas rurais, além de possível acionamento do helicóptero Águia, da PM, por chefes da empresa.

O dono da CampSeg, Nelson Santini, foi policial da Rota e trabalhou com Derrite no passado. Seu irmão, José Vicente Santini, é assessor especial do governo de São Paulo. À reportagem, Nelson Santini alegou não existir relação entre seus vínculos políticos e a prestação de serviços de segurança.

‘Institucional’

O secretário disse que sua proximidade com os irmãos não resulta em nenhum tipo de colaboração. Segundo ele, seu papel é “institucional”. Ele afirmou que recebeu Antonio Neves, diretor da Rumo Logística (cliente da empresa de segurança), em janeiro para tratar da segurança da linha férrea. O Estadão teve acesso a um grupo de WhatsApp do qual Neves participava ao lado de policiais e funcionários da CampSeg, como o agente Heber Pires dos Santos e Muller Ferreira.

Conforme Derrite, o crime organizado na região de Santos estava inviabilizando o escoamento de grãos do País. “Existia um problema gravíssimo de segurança pública com utilização do crime organizado. Em posse dessas informações, é óbvio que nós empregamos esforços para combater, coibir e reduzir (os crimes)”, disse.

A Rumo é a responsável por administrar a linha férrea que sai do Porto de Santos e passa por outras cidades do litoral sul, como Cubatão, onde há ocorrências de roubo de vagões e interceptação de carga. Segundo Derrite, investigações apontaram que a empresa anterior responsável pelo trecho tinha ligação com o crime organizado e era conivente com a vandalização.

‘Ostensivo’

O governador Tarcísio de Freitas declarou ser necessária a atuação institucional da segurança pública na região com “policiamento ostensivo”. Ele afirmou que o papel do Estado é não permitir que os crimes levem o Porto de Santos a perder oportunidade de negócios. “Estamos fazendo o nosso papel. O que está em jogo é a competitividade do Porto de Santos”, afirmou o chefe do Executivo paulista.

“Relação de contratação de empresa privada é problema da empresa Passa a ser um problema do governo quando você começa a ver a vandalização de composições que vêm do Porto de Santos”, disse Tarcísio. “É uma situação muito grave com projeção de prejuízo muito significativo. Não podemos ter um porto como o de Santos tão suscetível a esse tipo de ataque. Tinha quadrilhas especializadas em roubo de carga e a gente começou a ver que tinha um sujeito ‘trader’ de soja que começou a comercializar soja fruto de furto e dos ataques a essas composições. Bom, isso é um problema de segurança pública.”

Ataques

Como já mostrou reportagem do Estadão, trens de empresas ferroviárias que transportam cargas para o Porto de Santos foram alvo de uma rede criminosa – os bandidos estariam atrás de soja, açúcar, carne e combustível. Apenas em 2022 teriam ocorrido mais de 100 ocorrências do tipo. A Polícia Militar desencadeou uma operação na Baixada Santista para frear a ação de saques de trens e ao menos 22 suspeitos foram presos à época.

Ouvida pela reportagem, a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) disse que a ação desses criminosos colocava a segurança da população em risco e trazia prejuízos para a economia do País. Na mesma reportagem, a Rumo também se pronunciou, por meio de nota.

“Todas as interferências na linha férrea são registradas em boletim de ocorrência, e a concessionária segue mantendo conversas com a Secretaria de Segurança Pública e com os comandos gerais das polícias Militar e Civil”, dizia um trecho do comunicado.

 

Agência Estado

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