Dólar volta a subir e atinge R$ 5,42 com exterior e quadro fiscal no radar

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Foto: Divulgação

O dólar abriu a semana em alta firme e voltou a fechar acima de R$ 5,40. Apesar do ambiente externo desfavorável a divisas emergentes, em meio à nova rodada de avanço do retorno dos Treasuries, analistas afirmam que o real sofre com o aumento da percepção de risco doméstico. É crescente o desconforto com o quadro fiscal e a deterioração das expectativas de inflação em semana de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

O real apresentou nesta segunda-feira o pior desempenho entre as moedas emergentes e de países exportadores de commodities relevantes. O peso mexicano teve perdas de cerca de 0,50% em relação ao dólar, também pressionado por questões domésticas, como a proposta de reforma judicial da presidente eleita do México, Claudia Sheinbaum, que tem ampla maioria no Congresso mexicano.

O desenlace da reunião dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trouxe alívio pontual ao dólar no início da tarde, mas foi rapidamente revertido. Na saída do encontro da Junta de Execução Orçamentária (JEO), Haddad relatou que Lula está aberto ao debate sobre redução de gastos, mas os sinais são de que o governo não vai mexer no vespeiro da indexação no Orçamento, optando por atacar renúncias fiscais.

Tebet disse que Lula ficou “mal impressionado” com “o aumento de subsídios”, que estão batendo “quase 6% do PIB”, incluindo não apenas renúncia fiscal, mas também “benefícios financeiros e creditícios”. Haddad falou em “saneamento de cadastros”, inspirado na experiência recente do Rio Grande do Sul, o que pode liberar “espaço orçamentário” para garantir que “despesas discricionárias continuem em patamar adequado”.

Tirando uma baixa pontual e limitada na abertura dos negócios, o dólar à vista operou em alta no restante da sessão e chegou a superar pontualmente a linha de R$ 5,43 ao registrar máxima a R$ 5,4305 no meio da tarde. No fim do dia, a moeda avançava 0,74%, cotada a R$ 5,4219 – ainda no maior valor de fechamento desde 4 de janeiro de 2023. No mês, o dólar já avança 3,26%, o que leva os ganhos no ano a 11,71%.

Para o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, é preciso que o governo vá “além das boas intenções” e mostre de fato “algo concreto” no campo fiscal para que os ativos domésticos ensaiem uma recuperação.

“Apesar da conversa de Haddad com Lula, os sinais hoje não foram exatamente construtivos. A notícia de que a estratégia do governo é fazer cortes ‘no varejo’ neste ano e no ‘atacado’ nos próximos não inspira confiança”, afirma Borsoi, acrescentando que o ambiente externo, com alta dos Treasuries e sinais de fraqueza na economia chinesa, também contribuiu para a alta do dólar por aqui.

No domingo à noite (pelo horário brasileiro), saíram dados mostrando crescimento aquém do esperado da produção industrial chinesa e das vendas no varejo. O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) manteve a taxa da linha de empréstimo de médio prazo em 2,5% ao ano. No EUA, a atividade industrial medida pelo índice Empire State veio mais forte que o esperado em junho. As taxas dos Treasuries longos e curtos subiram mais de 1%, castigando divisas emergentes.

A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, afirma que, além do quadro fiscal local e dos fatores externos, o mercado de câmbio já reflete certa cautela na expectativa pela decisão do Copom na quarta-feira, 19. “Ainda existe dúvida se o Copom vai reduzir a taxa em 0,25 ponto ou se vai fazer uma pausa no corte. Isso traz aversão ao risco e pressiona a taxa de câmbio”, afirma.

Agência Estado

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