Por Fábio Campos
Vejam aonde estamos metidos. Em agenda de campanha, Ciro faz críticas duras ao PT e a Bolsonaro. No entanto, o pedetista avalia que Fernando Haddad tem praticado “coisas indefensáveis”, mas “não é tão autoritário quanto o Bolsonaro”. Ou seja, na visão de Ciro, estamos entre o inferno e o meio-inferno. A depender do ponto de vista, e vice-versa.
O inferno de Bolsonaro vem de sua tradição política que defende a ditadura militar que se instalou no Brasil a partir de 1964, da exaltação e apologia de torturadores e do linguajar e comportamento grosseiro e caquético em relação aos costumes. Pior ainda é quando sugere que a eleição só será legítima se o tiver como vencedor. O que deixa nas entrelinhas ideias radicais.
O que Bolsonaro representa em sua trajetória não está em seu programa de Governo. O plano apresentado (é obrigado a ter um pela lei eleitoral) é até certo ponto moderado. Um ponto polêmico é a defesa do porte de arma pela população. No entanto, o mérito do programa é claramente liberal (defesa das liberdades individuais, da livre iniciativa e da liberdade de imprensa).
No caso de Fernando Haddad, um político de natureza moderada, o inferno está em seu programa de Governo, que é um primor de autoritarismo. Entre outras coisas, o plano prega o “controle social” da imprensa, do Judiciário e do Ministério Público. Haddad assina embaixo de um ponto que Ciro Gomes, corretamente, vem denunciando: a convocação de uma Assembléia Constituinte. Há nesse ponto a invocação da veia bolivarianista. Foi com estratagemas desse tipo que a Venezuela virou o que é hoje.







