Gaudêncio diz que Cid autorizou Camilo a manter negociações com Eunício para aliança em 2018

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A aliança do então MDB com os Ferreira Gomes perpassou também eleições municipais. (Foto: Divulgação/PSB/2012)

A aliança do então MDB com os Ferreira Gomes perpassou também eleições municipais. (Foto: Divulgação/PSB/2012)

O presidente estadual do MDB, Gaudêncio Lucena, disse que o ex-governador Cid Gomes (PDT), padrinho político do governador Camilo Santana (PT), “autorizou” o petista a manter negociações para aliança com o ex-adversário Eunício Oliveira (MDB) em 2018. A possível chapa de reeleição com o oponente no pleito de 2014 tem tumultuado as tratativas com o PDT do pré-candidato à presidência, Ciro Gomes; e com o PT, que também quer indicar nome para o Senado.

“Não vi o Cid deixar de cumprir nenhum compromisso. Cid transferiu essa responsabilidade de conduzir a aliança para a eleição de Camilo Santana ao próprio Camilo. Se ele autorizou continuar as negociações com o senador Eunício, eu acredito que ele vai manter isso”, disse o ex-vice-prefeito de Fortaleza, em entrevista à rádio Tribuna BandNews FM.

Em 2010, quando eleito para o Senado pela primeira vez, Eunício era aliado dos Ferreira Gomes e ganhou força a partir da dobradinha com o senador José Pimentel (PT), apoiada pelo ex-presidente Lula. A boa relação com o grupo político, no entanto, se desfez em 2014, quando Cid, contrariando expectativas de Eunício, lançou Camilo a sua sucessão.

Eunício passou para o outro lado da moeda após ser derrotado pelo petista. Mesmo assim, após se tornar presidente do Senado, estreitou o diálogo com Camilo com discurso em prol do Ceará. Agora, há forças contrárias à reaproximação, especialmente da parte de Ciro.

Tratando Eunício como nome descartável, ele tem defendido os nomes de Cid e do presidente do PDT, André Figueiredo para disputa ao Senado na chapa majoritária encabeçada por Camilo Santana. Na semana passada, Ciro voltou a subir o tom contra Eunício em evento do PDT no Ceará.

“Já fui processado pelo Michel Temer, pelo Eduardo Cunha, já fui processado pelo Eunício Olivera – esse aí já vai para mais de 70 processos. Mas não tem um homem de bem que tenha me levado à Justiça, só o puro corrupto, o puro picareta, o puro assaltante do dinheiro do povo”, disse Ciro.

No ano passado, Ciro chegou a alertar Camilo de que tomasse cuidado com “espertalhões” que se aproximam para se beneficiarem do cargo que ocupa e questionou a mudança de opinião sobre o ex-adversário. “Como é que um dia desse aí a gente estava falando uma coisa, e no dia seguinte a gente muda completamente de opinião?”, pontuou o pré-candidato.

Ainda assim, segundo Gaudêncio, Ciro não tem tido uma grande participação em relação às alianças para Governo e Senado. “O discurso do Ciro um dia é uma coisa, outro dia é outra. Ele diz e desdiz”, alfinetou o emedebista.

PT e PDT

O conflito não diz apenas à opinião de Ciro sobre a aliança. O PDT alimenta planos, desde 2014, de indicar o deputado federal André Figueiredo, ao Senado, na chapa com Cid Gomes.

Em outra ponta, uma resolução da executiva nacional do PT determina que a agremiação priorize a candidatura de nomes da legenda nos Estados que já possuem a vaga. O presidente estadual da sigla, o deputado estadual Moisés Brás, disse que a legenda deve bater o martelo durante o encontro de tática e ressalta que “o PT vai continuar lutando pra indicar um nome”.

Gaudêncio acredita que “com habilidade política e com capacidade de convencimento”, os partidos chegarão na data da eleição com as chapas devidamente definidas e com os interessados na disputa distribuídos pelos diversos cargos. O MDB, no entanto, não cogita outra posição para Eunício que não seja a vaga para o Senado.

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