Mansueto diz que PEC perto de R$ 200 bi exigiria alta de imposto

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida. Foto: Agência Brasil.
Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

Dois dias antes da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição no Senado, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), chamou um grupo de oito deputados para se reunir com o economista-chefe do BTG, Mansueto Almeida.

Era o dia do jogo do Brasil com a Coreia, e as lideranças da Câmara se queixavam da falta de participação dos deputados nas negociações conduzidas pelo governo de transição no Senado – que, dois dias depois, permitiriam a aprovação da proposta com folga no placar e uma expansão nas despesas de no mínimo R$ 168 bilhões além da ampliação de exceções ao teto de gastos, a regra que atrela o crescimento das despesas à inflação.

Ex-secretário do Tesouro, Mansueto tem bom trânsito com parlamentares e ganhou expressão no cenário nacional como especialista em contas públicas. Integrou a equipe de Henrique Meirelles, no Ministério da Fazenda no governo Michel Temer, e depois assessorou Paulo Guedes, no “superministério” da Economia de Jair Bolsonaro.

Chamado do parlamento

Lira queria ouvir Mansueto sobre o impacto da PEC nas contas públicas, mas tinha à frente no cenário, no mesmo dia da votação do texto pelos senadores, o início da análise do orçamento secreto no Supremo Tribunal Federal (STF). Julgamento que baliza nos bastidores a negociação da PEC na Câmara e levou o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva a se reunir hoje com Lira. No Senado, Pacheco ouviu Bruno Funchal, ex-secretário de Tesouro e Orçamento, hoje CEO da Bradesco Asset.

Na reunião com os deputados, Mansueto deixou claro que o valor de R$ 200 bilhões da PEC era uma conta muito alta, que levaria a dívida pública a crescer em ritmo muito rápido e de forma insustentável. O mercado esperava um número bem mais baixo, em torno de R$ 100 bilhões, para a expansão de gastos, reforçou Mansueto aos deputados, segundo relatos obtidos pelo Estadão.

Ele alertou no encontro que o novo governo de Lula teria de “ir atrás de carga tributária”, caso começasse com uma expansão tão grande de R$ 200 bilhões em despesas. Em outras palavras, teria de aumentar os impostos, o que seria ruim para a economia. Mas, ao mesmo tempo, ponderou que alguns “excessos” da PEC poderiam ser cortados durante a tramitação da proposta.

Recado de austeridade

A expectativa era de que “acertassem a mensagem” fiscal que vinha sendo dada pela transição, que não era compatível com o discurso de responsabilidade social e fiscal anunciado pelos integrantes do futuro governo.

Nos bastidores do Congresso, o teor da conversa acabou sendo usado como uma espécie de “aval à PEC”, o que foi desfeito mais tarde por entrevista que o próprio Mansueto concedeu ao jornal Valor Econômico, na qual ele faz os mesmos alertas e explicita as suas preocupações, compartilhadas com boa parte dos especialistas do mercado financeiro na área fiscal.

Redução da licença

Na votação do Senado, o impacto fiscal da PEC foi reduzido em R$ 30 bilhões, de R$ 198 bilhões para R$ 168 bilhões. Em contrapartida, abriu novas exceções ao teto, que tornam mais difícil o cálculo da proposta. A queda do valor da PEC não trouxe tranquilidade aos investidores sobre os riscos futuros para as contas e a dívida pública.

Para manter os gastos com investimentos fora do teto, estrategicamente o relator do Orçamento, Marcelo Castro (MDB-PI), divulgou uma planilha sem contar com os R$ 23 bilhões de investimentos fora do teto. Em seguida, divulgou o relatório contando com esse espaço, a maior parte definida pelo governo eleito e outra a ser destinada pelos parlamentares nas suas áreas de maior interesse. É como se dissesse aos parlamentares: olhem o que se tem a perder.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Agência Estado

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Vídeo: As marcas dos tiros no peito de Cid Gomes e o ruidoso silêncio de uma ruptura

Entre o discurso do colapso e alianças instáveis, Ciro tenta reconstruir seu poder no Ceará

Vídeo de Alcides liga Ciro ao núcleo de Flávio logo após caso Vorcaro

Relação de Flávio com Vorcaro faz Michelle entrar no radar presidencial

Alece vai batizar rodovia do Cumbuco com nome de Lúcio Brasileiro

AtlasIntel detecta erosão do “bônus nordestino” de Lula e acende alerta para 2026; Ceará é ponto importante

J&F, holding dos irmãos Batista, amplia presença no Ceará com compra de termelétrica em Maracanaú

Ciro voltará à disputa pelo Governo do Ceará após 36 anos

Queda da violência esvazia principal discurso da oposição no Ceará

O Ceará em outro patamar: energia, dados e poder

Pesquisa Quaest mostra disputa presidencial em 10 estados, incluindo o Ceará

Obituário: Lúcio Brasileiro 1939-2026

MAIS LIDAS DO DIA

AtlasIntel: áudio de Vorcaro derruba Flávio e Lula dispara na corrida eleitoral

Custódia protetiva para a democracia; Por Paulo Elpídio

Projeto Brief identifica operação coordenada em crise da Ypê e levanta alerta sobre manipulação digital

Dois mundos; Por Gera Teixeira

Mais de 40% dos contribuintes ainda não enviaram declaração do Imposto de Renda 2026

Financiamento de veículos cresce 16,2% no Ceará em 2026, aponta B3

IBC-Br recua 0,7% em março e atividade econômica perde força no Brasil

Europa entre o medo e a radicalização: o continente revive sombras do pré-Segunda Guerra? Por Aldairton Carvalho

Inflação na Grande Fortaleza sobe para 5,10% e supera teto da meta do governo