
Equipe Focus
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O Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará MAUC) recebe nesta segunda-feira, 17, a exposição “Ler a Inquisição em tempos de intolerância”, sobre a Época Moderna, destacando seus reflexos no Brasil Colônia e, em especial, no Ceará.
A mostra foi pensada em torno do acervo de dois mil títulos sobre os temas Inquisição, judeus, cristãos-novos e intolerância, pertencente ao jornalista e historiador Nilton Melo Almeida, curador da exposição.
A realização é do Grupo de Pesquisa Diáspora Atlântica dos Sefaraditas (GPDAS), ligado ao Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe. Apoiam a iniciativa o CHAM Centro de Humanidades, vinculado à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa e à Universidade dos Açores, a Associação Cearense de Imprensa (ACI) e o MAUC.
A Inquisição foi implantada em Portugal em 1536, inicialmente para punir os cristãos-novos – judeus que haviam sido batizados à força por ordem de dom Manuel I ou seus descendentes -, mas que continuavam a manter, no segredo do lar, práticas judaicas aprendidas com seus pais e avós. A estrutura inquisitorial ampliou-se e, aos poucos, passou a perseguir, além das “heresias” das “raças de sangue infecto” (judeus, mouros, negros e índios), outros tipos de pecados, como a bigamia, feitiçaria, sodomia e solicitação.
Para Nilton Almeida, idealizador do projeto e curador da exposição, “na essência da mostra, emerge a lição de Hannah Arendt, para quem ‘compreender significa encarar a realidade, espontânea e atentamente, e resistir a ela – qualquer que seja, venha a ser ou possa ter sido’”. Nesse sentido, explica, “pensamos em construir um espaço de reflexão sobre a intolerância religiosa, sobre o racismo, sobre o preconceito e sobre o antissemitismo, como mentalidades sustentadoras de estruturas de poder (civil e religioso) que excluíram minorias, sejam étnicas, sejam religiosas”.







