No(s) dia(s) do meio ambiente, homenageemos os povos indígenas. Por João Alfredo

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João Alfredo é advogado, professor da UNI7 e ex-parlamentar. 

Sempre que vai chegando o dia do meio ambiente, uma pergunta nos vem à mente: há algo a se comemorar? Nestes últimos tempos, especialmente, com todos os retrocessos do antigoverno federal, o que parece nos restar é denunciar tudo o que vem sendo feito para destruir não só nossa natureza, mas, também os seus guardiões, a estrutura dos órgãos de controle ambiental e da própria legislação.

Nosso país tem sentado na cadeira da presidência alguém que se elegeu prometendo tudo aos latifundiários e grileiros, inclusive, não mais criar nem unidade de conservação, nem terra indígena ou quilombola. “Serei o presidente de vocês; acabarei com o ativismo ambiental” disse aos ruralistas aquele que se transformou no maior vilão antiambiental planetário. Isso fez com o que o país se tornasse um pária internacional, com os mais elevados índices de queimadas e desmatamentos, a garimpagem em terras indígenas, a liberação em massa de agrotóxicos e o desmonte do Sistema e da Política Nacional de Meio Ambiente. Isso tudo em plena época de emergência climática! Aduza-se que a situação só não está pior em face da atuação diligente do STF.

É nestes tempos sombrios, que avulta, como esperança o protagonismo dos povos originários, nossos indígenas que se organizam, nacionalmente, na APIB, sob a coordenação destemida de Sônia Guajajara, sem esquecer o protagonismo da deputada Joenia Wapichana e do jovem advogado Eloy Terena, dos pensamentos instigantes de Ailton Krenak e Davi Kopenawa e do grande e respeitado ancião, que é o venerável cacique Raoni.

Falo isso porque não há como se pensar em proteção à Natureza desvinculada da questão indígena. O Instituto Akatu estima que os povos originários constituam apenas 5% da população global, ocupando somente 28% da superfície terrestre mundial.

Porém, ao lado das famílias ribeirinhas, eles protegem 80% da biodiversidade, entre animais, plantas, rios, lagos e áreas marinhas. No Brasil, não é diferente. Enquanto, em trinta anos, as propriedades privadas perderam mais de 20% de sua vegetação nativa, em terras indígenas, essa perda foi de apenas 1%.

Salve a Natureza! Vivam os povos indígenas!

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