
Por Reno Ximenes
Post convidado
O Brasil caminha para uma esquizofrenia social coletiva, provocada pelo excesso de falsas liberdades oferecidas pela comunicação social digital de massa, instrumento que passou a reverberar tudo que é de charlatanismo profissional; bandidagens transcendentais, religiosas teocráticas, em catarses sociais irracionais múltiplas.
A história da pena social é originada da subjetividade privada, da vingança familiar de tribos, da proteção egoísta de privilégios. Ou seja, “a pena em sua origem, nada mais foi que vindita, pois é mais compreensível que naquela criatura, dominada pelos instintos, o revide à agressão sofrida devia ser fatal, não havendo preocupações com a proporção, nem mesmo com sua justiça”.
No Brasil, a demagogia jurídica patrimonialista surge com idêntica e contemporâneo diapasão, orquestrando a legitimidade do linchamento social.
O sofisma das liberdades absolutas de expressão e religiosa estimulam à bandidagem de charlatões profissionais, espirituais e justiceiros. Eclodem bandidos sangrando a fé ingênua de vulneráveis, formando patrimônios bilionários às custas da imunidade fiscal constitucional, provocando o enriquecimento ilícito, fuga de capitais e lavagem de dinheiro de diversas atividades de serviços de fachada, escondendo o fiel destino da arrecadação de dízimos, frutos da venda de indulgências desautorizadas da chancela de Deus.
Toda liberdade social exige responsabilidades. As liberdades absolutas em ordenamentos jurídicos é um dogma nocivo, criado para manter uma aristocracia nos guetos fascistas entranhados no poder. Urge a relativização de tais direitos inquestionáveis sob pena da instalação do terror coletivo, interesse exclusivo daqueles que ganham, proporcionalmente, em cima da escalada da violência física e moral, seja captando fiéis, seja vendendo segurança privada, seja conquistando mandatos políticos às custas da demagogia, irradiada na internet ou em programas de rádio e televisão. O humanismo é o único caminho legítimo à sociedade contemporânea, na busca do equilíbrio das crises de legitimidade. O Brasil precisa de um pacto político social, unindo todas as forças, independente de umbigos partidários, familiares, profissionais ou desorientações religiosas.







