Privatização do Terminal do Mucuripe terá impacto similar à privatização do Pinto Martins

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O ministro Tarcísio Gomes de Freitas postou em suas redes sociais uma bela imagem do Terminal do Mucuripe com Fortaleza ao fundo.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br
A boa notícia da semana veio do ministro da Infraestrutura, o cearense de Crateús formado em engenharia pelo IME, Tarcísio Gomes de Freitas. Em suas redes sociais, o ministro anunciou que o terminal marítimo de passageiros do Porto do Mucuripe será o primeiro da lista a ter a concessão leiloada. A previsão é que o processo seja finalizado entre abril e julho de 2020.
A expectativa é que, guardadas as devidas proporções, a privatização do terminal do Mucuripe tenha o mesmo resultado da privatização do aeroporto Pinto Martins. Ou seja, que uma empresa profissional do ramo, com articulações globais, assuma a administração do terminal e seja capaz de atrair o máximo possível de cruzeiros turísticos internacionais e nacionais.
Hoje, belíssimo, bem estruturado e com excelente localização, o terminal é absurdamente subutilizado e tem servido muito mais como estatal de shows, aniversários e casamentos do que como equipamento para atracar navios de passageiros. Contam-se nos dedos de uma mão os transatlânticos que atracam por lá a cada ano.
O Brasil tem um dos maiores litorais do mundo. No entanto, em 2018, somente sete cruzeiros turísticos operaram na costa brasileira. O projeto é aumentar para 40 o número de cruzeiros turísticos que operam no litoral brasileiro até o fim de 2022. Significaria uma aumento de 471,4%.
Deu na Folha: “Uma das maiores companhias do setor, a Royal Caribbean saiu do Brasil após a temporada 2015/2016 alegando altos custos operacionais e baixa rentabilidade. Outros mercados também se mostraram mais atraentes, como China, Austrália, Emirados Árabes e África do Sul”. É evidente que os terminais ruins e de gestão duvidosa cooperam com esse “alto custo operacional”.
Tarcísio Freitas diz, com toda razão, que o número de navios de passageiros operando no Brasil é “ridículo” mesmo em comparação com países latino-americanos: “Você vê vizinhos nossos com 20, 30 cruzeiros. A gente tem que atuar na infraestrutura”.
Atentem para o que ocorreu (e com tendência ainda mais positiva após o fim da reforma) com o Pinto Martins após a concessão para a iniciativa privada. De cara, a entrada da Fraport, empresa com atuação global, gerou as circunstâncias para a instalação do hub da Air France-KLM. Na sequência, o aumento significativo de voos internos. A resultante foi o exponencial aumento da quantidade de turistas no Ceará.
Por lógica, o mesmo deve ocorrer como consequência da concessão do Terminal do Mucuripe. Uma empresa de grande porte, especialista do ramo, tem articulações e experiência para fazer com o porto de passageiros uma caminho semelhante que a Fraport fez com o aeroporto.
E, aqui entre nós e a imensa torcida do Flamengo, para que serve ao Estado administrar um terminal de passageiros? O de sempre: distribuir cargos com os políticos, deixar depauperar e fazer uma obra de recuperação. Tudo regiamente bancado pelos pagadores de impostos.
Mas, não basta somente conceder a gestão dos terminais brasileiros à iniciativa privada. Como bem disse o ministro Tarcísio, é preciso alinhar três pontos:

  • Melhorar a conexão dos portos às cidades;
  • Aumentar a infraestrutura de acesso dos navios aos portos, sendo os focos a dragagem e o sistema de balizamento;
  • Reconfigurar terminais existentes para que recebam somente turistas.

Nesse terceiro ponto, abre-se um filão de negócios. Afinal, são poucos os terminais portuários do Brasil voltados exclusivamente para o turismo. Felizmente, o Mucuripe compõe essa pequena lista. Sim, é colado ao porto de cargas do Mucuripe, mas tem vida independente. Não foi à toa que se tornou o primeiro da lista de concessões. É fato que a infraestrutura que o cerca precisa ser melhorada. E muito. Porém, trata-se de algo que pode ser feito após a concessão.
O projeto do Ministério é autorizar mais construções de novos terminais turísticos com investimento privado e remanejar o tráfego de cargas. É o que ainda está para acontecer em Fortaleza, com a necessária mudança do parque de tancagem do Mucuripe para o Pecém. Essa ação abriria uma importante nova fronteira econômica com um  território turístico novo entre a Beira-Mar e a Praia do Futuro.
Também deu na Folha: “O Brasil responde por apenas 0,25% do número de passageiros de cruzeiros do mundo. Segundo o governo, a Austrália, que tem quase 25 milhões de habitantes em comparação com os 210 milhões do Brasil, recebe 36 navios por temporada e conta com 1,3 milhão de cruzeiristas. O número equivale a 5,3% do mercado global.
Leia Mais
+Terminal marítimo do Mucuripe será concedido à iniciativa privada em 2020
 

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