Revolução informacional e inovações tecnológicas, por Felipe Matias

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*Felipe Matias é engenheiro de pesca e administrador. MBA em Gestão Empresarial. Mestre em administração e controladoria. Mestre em aquicultura e sustentabilidade e doutor em biotecnologia de recursos pesqueiros. Possui pós-doutorado em gestão dos oceanos e da terra (UFF-RJ). Atuou como consultor da FAO/ ONU. Secretário-Executivo da Red de Acuicultura de las Américas. Diretor-Executivo da AquaBras/ Felipe Matias Consultores Associados LTDA.

Por Felipe Matias
Post convidado
O mundo passa por profundas modificações e nenhum Setor está de fora das mudanças causadas por essa Revolução Informacional (Inteligência Artificial, Big Data, Internet das Coisas – IoT, DataMining, Indústria 4.0, a Gestão da Tecnologia e da Informação, etc.), que já está causando uma disrupção nos mais diversos setores econômicos.
Sabato (1978) tende a enfatizar o aspecto de tecnologia como o conhecimento aplicado ou aplicável à produção de coisas úteis, à solução de problemas ou de forma mais ampla, a todas as formas de interação do homem com o seu ambiente material e social. Já para Dosi (1984), a tecnologia é um conjunto limitado de possíveis alternativas tecnológicas e de futuros desenvolvimentos concebíveis viáveis. Este autor ainda cita que a tecnologia tende a se materializar de duas formas: tecnologia materializada (bens de capital, plantas, layouts, materiais, insumos, componentes, softwares, etc.) e tecnologia não materializada (qualificação de RH, Processos de produção, etc.).
Para a OCDE (2005), inovação é a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional e identificou quatro tipos de inovação:

  • Inovação de produto: introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado nas suas características ou usos previstos;
  • Inovação de processo: implementação de um método de produção ou distribuição novo ou significativamente melhorado;
  • Inovação de marketing: implementação de um novo método de marketing com mudanças significativas na concepção do produto ou em sua embalagem, no seu posicionamento, em sua promoção ou na fixação de preços;
  • Inovação organizacional: implementação de um novo método organizacional nas práticas de negócios da empresa, na organização de seu local de trabalho ou em suas relações externas.

Feitas essas considerações iniciais e conceituais, para que serve a inovação? A inovação funciona como uma vantagem competitiva e proporciona uma maior lucratividade e uma maior posição de mercado. Desta forma, em todas as atividades produtivas as inovações vem sendo necessárias. E assim será cada vez mais. Seja na indústria, no comércio ou na prestação de serviços, a atual Revolução Informacional já está presente e exigindo cada vez mais que os produtos, processos, métodos de marketing ou métodos organizacionais sejam cada vez mais inovadores.
Uma vez me perguntaram se o setor do agronegócios, ao qual estou vinculado, estaria preparado pra estas inovações….Ora, ora, ora, a Revolução Informacional e as Inovações Tecnológicas não esperarão que, qualquer que seja o Setor, esteja preparado…. elas já estão aí. Sofrerão mais aqueles setores que não se anteciparem, não inovarem ou não se adaptarem a estas inovações.
Podemos exemplificar inovações tecnológicas em alguns setores…Medicina e saúde: utilização dos mais diversos tipos de dispositivos que podem se conectar à Internet e transmitir em tempo real informações referentes às medições feitas em um paciente (temperatura, batimentos cardíacos, pressão arterial, etc.), facilitando a comunicação entre médico e paciente; Transportes: informações em tempo real a respeito do tráfego, de melhores rotas e de demanda, usuários com informação em tempo real do momento da chegada de seu meio de transporte (metrô, ônibus, etc); Serviços públicos e cidades inteligentes: bueiros com sensores que detectam a necessidade de limpeza, sensores que emitem alertas de enchentes, monitoramento de emissão de poluentes, câmeras para monitoramento do trânsito e de segurança pública, semáforos inteligentes, técnicas mais eficientes para identificação de sonegação de impostos, etc.; Comércio em geral: precificação automática de produtos de acordo com a demanda, preços dos concorrentes e disponibilidade do produto, prateleiras inteligentes, pagamento automatizado, etc.; Agronegócio: sensores e câmeras distribuídos ao longo de plantações e cultivos, com capacidade de medir os fatores físico-químicos da água e dos solos, algoritmos inteligentes que preveem o tempo com grande antecedência, sensores e câmeras nas fazendas e laboratórios, vigilância, manutenção, controle do consumo de ração e outros insumos, etc.
Nesta que vem sendo chamada de a Quarta Revolução Industrial – A Indústria 4.0, passaremos a lidar com fábricas, empresas e fazendas inteligentes, monitoradas à distância, com automação nos mais diversos níveis e processos industriais mais eficientes e customizáveis. Mas quais serão os impactos dessas mudanças? Não estão claros, mas certamente envolverão novos modelos de negócios, com a personalização de produtos às necessidades de clientes específicos.
Diante desses cenários de utilização das inovações tecnológicas, os desafios são enormes e há a necessidade de se desenvolver novas políticas de segurança de dados e informações, assim como novas legislações específicas para incentivar a utilização de novas tecnologias. É sabido e reconhecido que muitas das atuais tecnologias e postos de trabalho serão (já estão sendo) extintos (as) e novos (as) serão criados (as).
Neste cenário, também será exigido um investimento massivo em educação, na pesquisa e na geração e no desenvolvimento de novas tecnologias. Já os profissionais…estes terão que se adaptar. Não saberemos onde, como e nem em que nosso(a)s filho(a)s trabalharão; mas o importante é que estejam disponíveis para aprender e preparados para estas mudanças, que prometem ser as mais revolucionárias da História.

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