Série Candidatos: Elmano e o peso de cada coisa

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Com justificado otimismo, a direção dos partidos de esquerda apostaram muitas fichas no potencial de transferência de votos de Lula para seu candidato a governador, Elmano de Freitas, desde o conflito que partiu em banda a aliança com o PDT.

Digo, sem medo de errar, que o nome de Lula é mais poderoso como recurso de lançamento do que de sustentação. Atrai a atenção das pessoas e produz enorme boa vontade, mas, a partir daí, elas passam a olhar também para seus interesses mais imediatos.

E é aí que se faz mais relevante o fator Camilo, não somente como um avalista com popularidade, mas, principalmente, por força da boa aprovação de seu governo, ao qual Elmano figura representar para garantir a continuidade de suas diretrizes.

Digo “sem medo de errar” porque há referência oposta para observação: o eloquente caso de Pernambuco, onde o candidato apoiado por Lula – filho da terra – patina ainda com 11% de intenções de votos. E por que? Porque Danilo Cabral, o nome indicado, é, também, candidato do governador Paulo Câmara, cuja gestão é desaprovada por ampla maioria da população.

Portanto, Lula é uma alavanca eficaz para colocar Elmano em condições de viabilidade, como comprovam as pesquisas, mas o que poderá garantir, de fato, sustentação à candidatura é seu posicionamento estratégico como sucessor pretendido do bem avaliado governo de Camilo Santana, que prossegue sem alterações de qualidade na gestão de Izolda Cela.

Igualmente relativo, embora muito relevante, sobretudo num estado pobre como o Ceará, é o alegado uso da máquina governamental como força de arregimentação das pragmáticas lideranças regionais: ora, sem uma boa perspectiva de continuidade, esse apoio é volátil e muda de direção de acordo com os ventos soprados pelas pesquisas de opinião.

De modo que o decisivo cabo eleitoral de Elmano é o projeto ao qual ele almeja assegurar continuidade. É a entrega de resultados. E isso se verá ainda com maior evidência se as circunstâncias indicarem a necessidade da presença de Izolda Cela em sua campanha. A governadora é sua “bala de prata”, a ser usada no momento certo, se a conjuntura indicar.

Ricardo Alcântara é escritor e publicitário

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