
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, cedeu a um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para nomear o economista Marcio Pochmann para a presidência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por entender que o órgão responsável por pesquisas como o Censo tem pouco valor no “mercado político”. Seus colegas de MDB, partido de Tebet, quando informados da intenção do presidente – comunicada há 15 dias – também avaliaram que a ministra não deveria resistir ao desejo do Palácio do Planalto.
A nomeação para a direção do IBGE (que é subordinado ao Planejamento) vinha sendo objeto de uma queda de braço que ocupou nos últimos dias as autoridades de Brasília. Pochmann é professor na Unicamp, escola de linha econômica majoritariamente heterodoxa – que defende o aumento dos gastos públicos e a maior presença do Estado na economia. Também foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre o fim do segundo mandato de Lula e o começo do primeiro de Dilma Rousseff Atualmente, preside o Instituto Lula.
Há sete meses, o cargo no IBGE estava sob o comando provisório de um técnico, Cimar Azeredo, que liderou a realização do Censo. O posto não havia sido ambicionado pelo MDB nem cobiçado pelo PT até agora, e Tebet cogitava escolher um nome de peso da academia para dar verniz ao órgão. Mas Lula preferiu Pochmann.
Como o presidente ainda não havia feito pedidos por cargos no Ministério do Planejamento, a concessão era o único caminho para a ministra, dizem seus aliados. Eles afirmam acreditar ainda que o recuo ajude a adiar pedidos do PT, que poderiam, aí sim, desestabilizar a condução da política econômica.
Questionada nesta quinta-feira, 27, sobre a indicação, Tebet disse que vai se reunir com Pochmann na próxima semana, e quer ouvi-lo a despeito das críticas de que é alvo. “Não faço o prejulgamento, porque eu já fui muito prejulgada na minha vida profissional e política. Eu vou ouvi-lo primeiro”, disse ela, depois de reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para discutir o remanejamento de recursos do atual Orçamento. Ela afirmou ainda que terá “prazer em atender” ao pedido pessoal feito por Lula.
Mas a escolha foi alvo de críticas de economistas que apoiaram a candidatura de Tebet à Presidência em 2022, que veem Pochmann como muito ligado a ideias heterodoxas na área. Já os aliados da ministra no meio político creem que as críticas a Pochmann, disparadas nos últimos dias, partiram desse núcleo mais aguerrido e que desconsidera o peso de um pedido vindo do próprio presidente.
Petistas graduados no governo Lula atribuem a escolha de Pochmann para o cargo à vontade do presidente de recompensá-lo por ter aceitado dirigir o Instituto Lula “na baixa”, antes da vitória eleitoral do ano passado. Desde 2020, Pochmann comanda o instituto e seu mandato se encerra neste ano.
Agência Estado







