André Figueiredo e Eduardo Bismarck bancam posição a favor da PEC que Ciro chama de famigerada

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André e Eduardo: dois dos quatro deputados federais do PDT do Ceará com posições que desagradaram a Ciro Gomes.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br

O voto de quatro dos cinco deputados federais do PDT cearense a favor da PEC dos Precatórios (veja aqui) causou rebuliços políticos que vão muito além da questão local. Indignado pelo que considera ser uma “famigerada” proposta, Ciro Gomes anunciou a suspensão de sua pré-candidatura presidencial “até que a bancada do meu partido reavalie sua posição”.

Na sequência, Ciro colocou contra a parede os quatro deputados pedetistas do Ceará e também membros da bancada da sigla oriundos de outros estados: “Temos um instrumento definitivo nas mãos, que é a votação em segundo turno, para reverter a decisão e voltarmos ao rumo certo”. Ou seja, a palavra de ordem foi dada.

De uma fonte que conhece muito bem os dois velhos amigos: “O Leônidas votar contra a orientação do Ciro? Nunca! Ou o deputado reforma o voto ou ou a coisa toda é jogo de cena.”

Quem conhece o deputado federal Leônidas Cristino aposta que o parlamentar jamais votaria contra a orientação de Ciro Gomes. Afinal, trata-se de unha e carne. Porém, o parlamentar seguiu uma orientação baixada pela bancada na Câmara dos Deputados.

Uma aposta: se Ciro não baixar a guarda, Leônidas Cristino vai recuar e mudar seu voto no segundo turno de votação da PEC.

Envolvidos de forma muito direta nas negociações, André Figueiredo e Eduardo Bismarck falaram com o Focus a respeito do caso. Os dois comungam de leituras muito similares e se dizem convencidos de que fizeram o certo.

“Acho que houve um acordo do PDT que foi decisivo e que conseguiu atender a educação e os professores, pauta prioritária do partido, e que também evitou o recebimento por parte de estados, como o Ceará, dos precatórios em 10 anos”, explica Birmarck.

O pedetista participou das negociações, mas votou contra a PEC que, segundo André e Eduardo, beneficia os professores, a base eleitoral de Idilvan Alencar.

Provocado pelo Focus, Figueiredo disse o seguinte: “Não houve teoria da conspiração. Tomamos essa decisão inclusive junto com a Apeoc [entidade dos professores do Ceará]”. Ou seja, foi negociada uma pauta de interesse dos professores que atuam na área pública, além de outros pontos. Em troca, o voto favorável à PEC que, sem o apoio do PDT, teria sido reprovada.

“Foi uma construção que inclusive nos levou ao diálogo da bancada do PDT com o senador Cid Gomes e no final da tarde ontem (quarta-feira, 03) pactuamos votar favoravelmente”, explica Figueiredo.

Detalhe: o deputado federal Idilvan Alencar, um representante da categoria dos professores, participou ativamente das conversas, mas votou contra a PEC. Não se sabe ao certo se sua divergência foi exposta nas discussões internas. Focus está apurando.

“Temos absoluta convicção de que o conteúdo que nos norteou a tomar essa posição é o adequado. Lamentavelmente, a celeuma se criou nas redes sociais, o Ciro embarcou nessa mesmo eu tendo mandado uma mesagem para que, antes de se posicionar, ele nos ouvisse. Enfim… faz parte. Vamos continuar o diálogo e queremos acima de tudo o bem para a educação e para os professores. Não podemos apostar de forma alguma no quanto pior, melhor”, argumentou André Figueiredo.

Brizolista e pedetista de origem que cresceu politicamente distante do grupo político oriundo de Sobral, Figueiredo bate o martelo a favor do auxílio emergencial que é viabilizado pela PEC: “Nós também acreditamos ser uma medida extremamente relevante… não é por sermos oposição que temos de votar tudo contra”.

A questão política paralela é a seguinte: o auxílio emergencial viabilizado pela aprovação da PEC é um ponto fundamental para também viabilizar a candidatura de Jair Bolsonaro na disputa de 2022. O Auxílio Brasil, programa substituto do Bolsa Família, pagará 400 reais para 17 milhões de famílias até o fim do próximo ano.

Já Eduardo Bismarck afirma que a bancada foi surpreendida com o posicionamento da executiva do PDT. “Mas isso será fruto de diálogos futuros. Entendo que a bancada está convicta do voto, do acordo e das conquistas”, pontua.

Dos 21 deputados do PDT presentes, 15 votaram a favor. Para aprovar o texto, eram necessários 308 votos, e foram consignados 312 favoráveis. Ou seja, a posição da bancada pedetista decidiu a parada, na prática, a favor do interesse eleitoral de Jair Bolsonaro.

Apostem: será forte a pressão, com possibilidade de o partido fechar questão, da bancada do PDT mudar seus votos na votação do segundo turno da PEC, que vai acontecer na próxima semana. “Não vai fzer diferença. O Arthur Lira vai conquistar mais votos de outras bancadas”, relata uma fonte.

E quanto a Ciro? O recado foi dado através de suas redes sociais. Lá está a sentença (veja aqui).

 

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