Documento de viagem de servidor é indício contra Bolsonaro no caso das joias, diz PF

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Foto: Bolsonaro: Gabriela Biló/Estadão

Documento informando que um servidor da presidência da República viajou para São Paulo para resgatar as joias da Arábia Saudita foi incluído no inquérito da Polícia Federal que apura o caso como indício do envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro no episódio.

Como revelou o Estadão, nos últimos dias do governo Bolsonaro, um avião da Força Aérea Brasileira levou o primeiro-sargento da Marinha Jairo Moreira da Silva até Guarulhos para uma missão: resgatar sem pagar qualquer imposto o colar de diamantes e outras joias avaliadas em R$ 16,5 milhões que tinham sido apreendidas pela Receita Federal um ano antes com auxiliares do ex-presidente.

Segundo noticiou o jornal O Globo, o delegado que cuida da investigação viu no documento que registra o motivo da viagem de Jairo a Guarulhos o indício de envolvimento do ex-presidente na tentativa de resgatar as joias do cofre da Receita naquele aeroporto. “A viagem desse representante, segundo o portal da transparência, foi para ‘atender demandas do Senhor Presidente da República'”, escreveu o delegado Adalto Ismael nos autos do inquérito, segundo o jornal.

O documento citado pelo delegado está registrado no Portal da Transparência e fora localizado pelo Estadão e citado na reportagem que revelou o caso das joias. Para justificar a viagem de Jairo a Guarulhos no dia 29 de dezembro de 2022, a três dias do fim do governo Bolsonaro, a presidência da República informou que o servidor estava indo “para atender demandas do senhor presidente da República”. A justificativa oficial serviu para os cofres públicos bancarem a viagem do servidor.

Como mostrou o Estadão, ao chegar em Guarulhos, o sargento Jairo tentou convencer o fiscal da Receita que estava de plantão a entregar as joias. Foi avisado, no entanto, que elas estavam num cofre e que o procedimento correto não era aquele. A repórter Andréia Sadi, da Globo News, revelou imagens de câmeras do circuito interno instaladas no posto da Receita que captaram a tentativa de Jairo de reaver o colar de diamantes que seria destinado à então primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Depoimento

A PF marcou o depoimento de Bolsonaro no inquérito para o próximo dia 5 de abril. Como revelou o Estadão, duas caixas de joias com diamantes foram trazidas para o País pela comitiva do então ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque. Uma delas estava com o próprio ministro e não foi vista pelos fiscais no dia 31 de outubro, quando a comitiva retornou da viagem à Arábia Saudita.

Uma segunda caixa, escondida na bagagem de mão de um assessor de Bento foi identificada e apreendida. Na época, o ministro voltou às pressas para a área da Alfândega e declarou que eram presentes para Michelle e mesmo assim não conseguiu liberar as joias porque era necessário uma declaração formal e a comitiva não quis fazer esse registro.

Ao retornar para o Brasil nesta quinta-feira, 30, após três meses nos Estados Unidos, Bolsonaro disse que as joias foram um presente da Arábia Saudita. “Eu sou um cara que continuo com meu relojinho aqui, graças a Deus, continuo com ele”, afirmou. Bolsonaro também afirmou que cogitou leiloar as joias. “Eu não quero ter uma joia em casa. Nunca, jamais, vou ter uma joia do preço que está aí. Até conversei com a minha esposa: ‘Se fosse nossa, o que ia fazer com isso daí?’ Leiloar, instituição de caridade, fazer bom uso dela. Quem vai poder usar uma joia daquela e sair pela rua Brasil afora?”.

Agência Estado

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