Por Edvaldo Araújo
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A história brasileira registrou nesta quinta-feira, 6, véspera do feriado da Independência, o primeiro atentado a um presidenciável. Jair Bolsonaro (PSL), candidato melhor colocado nas pesquisas, sofreu uma agressão a faca quando fazia campanha em Juiz de Fora (MG). Apesar de as primeiras informações darem conta de um incidente de pouca gravidade, as atualizações apontavam risco de morte. A noite termina com um quadro médico estável. Mais que lesões físicas, entretanto, o episódio é um profundo atentado à democracia.
A 30 dias das eleições, episódio joga combustível num cenário de agressões e acusações que só crescia. A tensão, cujo ápice até então era a prisão de Lula e a impossibilidade de sua candidatura (só definida na sexta-feira, 31 de agosto), chega a um novo pico. Ela é visível a olho nu, numa rápida passeada pelas redes sociais.
Desde a redemocratização, não vivíamos uma situação tão tensa. Em outras campanhas presidenciais, mesmo com ânimos tão exaltados, como em 1989 (com Collor, Lula e Brizola na disputa), o embate não se permitia ir além do verbal.
O atentado de hoje é o ápice, mas pode haver outros. Para ir mais longe, basta que as teorias da conspiração (de ambos lados) prevaleçam sobre a verdade. Não faltarão dedos em riste a apontar o outro. E este é o primeiro passo para coisas bem piores. Pode ser diferente? Pode. E queiramos nós que assim seja.
Mas a tensão só aumenta a incerteza. Como será a campanha doravante? É claro que a disputa política está prejudicada pela irracionalidade. O emotivo agora é quem comanda e qualquer resultado pode acontecer. Seremos, no momento em que mais precisamos de um governo capaz de realizar uma transição, de construir uma agenda de crescimento, tolhidos do choque leal de ideias.
As pesquisas eleitorais demonstram que a saída de Lula da corrida eleitoral provoca uma disputa em busca da segunda vaga, para o segundo turno – já que Bolsonaro uma das vagas era quase certa para Bolsonaro. Por sua vez, neste segundo turno, o candidato do PSL não teria vantagem sobre nenhum dos adversários. Um quadro complicado e cheio de variáveis, principalmente se contarmos o grande número de indecisos e proximidade entre candidatos.
Bolsonaro vivia o seu pior momento, estacionando nas intenções de voto e vendo a rejeição aumentar. Ciro e Marina empatavam no segundo lugar; Alckmin e Haddad corriam por fora. O tucano, por exemplo, centrava parte de sua estratégia no ataque ao candidato do PSL. Isso deve mudar. Claro que todos irão diminuir o ritmo e a perspectiva da campanha. Estratégias devem ser refeitas. Afirmo novamente: perde-se agenda, aumenta a emotividade, já tão dominante.
Por certo que o atentado provocou lesões em Bolsonaro, mas atinge a todos que queriam ver o livre enfrentamento de ideias.
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