25/02: uma festa de despedida. Por Ricardo Alcântara

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Ricardo Alcântara é escritor, publicitário, profissional do marketing político e articulista do Focus.

Uma fera sem presas. Desdentada e com unhas curtas. Acuado sob o peso dos maus presságios de sua provável condenação, o Jair que se viu no palanque de domingo é uma versão fake de Bolsonaro. Sabe-se lá quantos lexotans Michelle precisou despejar na garganta dele para que fizesse conciliadores apelos pela anistia dos celerados que depredaram as sedes dos três poderes em Brasília – tendo, claro, em perspectiva, sua própria imunidade.

Aquele lá, que falou para uma mancha verde e amarela de pouco menos de 200 mil pessoas, é muito diferente do verdadeiro Bolsonaro que venceu a eleição prometendo “metralhar a petezada” e botava pra tocar nos seus comícios um funk chamando as mulheres de esquerda de “cadelas”. Que fez galhofa com a asfixia dos que morriam sob o efeito severo da COVID – entre tantos outros exemplos de incivilidade.

Não se acredite, portanto, que o ato de domingo representa sobrevida à carreira política de Bolsonaro. Foi, na real, um ato de despedida. Ele exercerá ainda influência nas eleições de 2024 como apoio isolado a diversos candidatos, principalmente no Centro-oeste e Sul do país, mas dará muito a tais candidatos e nada mais receberá em troca: está inelegível. Irá aos palanques, se a justiça permitir, como um zumbi. E estará provavelmente preso em 2026.

A partir de agora, os setores políticos mais conservadores deverão construir seu discurso reciclando o resíduo tóxico bolsonarista e buscando se definir com mais sobriedade e pragmatismo – algo que já se realiza no estilo de governadores de estados importantes, como Tarcísio de Freitas e Romeu Zema, dois temperamentos sóbrios, racionais.

Ao fim, o que disse Bolsonaro no subtexto das palavras que escolheu declarar foi “Estou com medo. Eu sei o que me aguarda e nada mais posso fazer do que isto aqui. Pedir socorro”. Com os agentes de articulação de seu delírio ditatorial jogados às cordas por provas materiais levantadas pelas investigações da Polícia Federal e dezenas de paus mandados presos na Papuda com penas superiores a 15 anos, de onde virá o socorro?

Bolsonaro, num apelo patético, suplicou: “Vamos passar uma borracha no passado”. Patético, sim, tratar como “passado” uma tentativa de golpe de Estado que ocorreu há um ano apenas e cujo julgamento está apenas começando. Porém, vestida de verde e amarelo – camisa que também no âmbito esportivo não faz tremer a mais ninguém – a multidão não estava ali para dizer que reagirá ao seu declínio agora irreversível na base do “custe o que custar”. Não. Estava lá apenas para confirmar que a aglutinação dos segmentos conservadores veio para ficar. Mas ele não. Foi, neste sentido, uma despedida festiva.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Atlasintel: A polícia e a confiança que ainda resiste

Atlas/Focus: Lula mantém vantagem larga no Ceará, mas avanço de Flávio reduz distância

Atlas + Focus: Cid lidera consolidado, Luizianne encosta e Wagner mantém disputa aberta entre os três primeiros

Focus/Atlas: O placar muda com Elmano 48,5% x Ciro 48% e disputa entra na reta final em claro empate técnico

Entenda a super sexta-feira: três pesquisas e três fotografias em uma disputa que continua aberta

O fundamento da crise se deu quando a política passou a pedir ao Supremo que resolvesse a política

Alerta: IA se organiza sozinha, forma uma “gangue” e ataca

Três pesquisas medem o mesmo Ceará e encontram distâncias diferentes entre Ciro e Elmano

Focus + Atlas para o Senado: Cid e Luizianne empatam na liderança; Wagner e Alcides travam disputa pela direita

Ciro e Elmano

Focus Poder/Atlas: Ciro lidera, Elmano encosta e diferença cai para 2,6 pontos

Atlas/Focus Poder, Datafolha e Quaest: três pesquisas em campo no Ceará deixam mercado político nervoso

Atlas/Bloomberg: Lula lidera 1º turno, mas entra na eleição com rejeição maior que aprovação

MAIS LIDAS DO DIA

BTG/Nexus: Lula abre 6 pontos no 1º turno; no 2º, diferença cai para 2

Iberia terá voos diários entre Fortaleza e Madri durante inverno europeu

Quaest: Lula chega a 39% e abre 5 pontos sobre Flávio Bolsonaro no 1º turno

Análise da pesquisa Quaest: mulheres e baixa renda puxam reação de Lula na reta final

Entidades de bets acionam STF contra MP que proíbe apostas no Brasil

Ciro Gomes e o Ceará de hoje; Por Ricardo Alcântara

A banalidade do esquecimento e da recordação; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

Contrata+Brasil chega a Fortaleza com foco em pequenos negócios

Quaest: três medidas recentes de Lula, incluindo bets, têm apoio da maioria na reta final da eleição