Evandro: o desafio de vencer sem emoção; Por Ricardo Alcântara

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Posso estar enganado (e não terá sido a primeira vez), mas os eleitores não veem em Evandro Leitão traços daquele vendedor de sonhos que cerca candidatos vitoriosos de esquerda. É portanto, na dimensão simbólica, um candidato da tradição.

Seu eleitor se identifica com as políticas sociais do lulismo e vê no candidato, afinal, uma boa pessoa, que gera mais simpatia do que entusiasmo. Enfim, Evandro tem um perfil de baixo impacto.

Não há adesão vibrante porque ele representa um projeto político, estadual e federal, de resultados até aqui medianos*. Como não é um mago de carisma ou retórica, capaz de dar polimento a um quadro opaco, sua persona não compromete, nem alavanca.

O candidato não faz sonhar. Para usar clichês de marketing, seu voto é uma “compra comparada” e não (longe disso) um “sonho de consumo”. E não culpem Evandro por isso (nem as torcidas do Vozão e do Leão).

Evandro é emblema do máximo que os progressistas brasileiros conseguem representar hoje: uma maneira de evitar o pior, um dique de contenção para a maré alta das desordens. Foram, no intervalo de duas décadas, de incendiários a bombeiros.

Uma crosta áspera de desencanto reveste a percepção do “cidadão comum” menos radical, isto é, aquele que não se dispõe a estar existencialmente mais mobilizado pela política, mas sabe o quanto ela anda lhe devendo.

Tal “estado de espírito” leva água para os moinhos de André Fernandes, ”um jovem candidato anti sistema”, na versão que o alimenta ou, para usar com ironia um velho bordão que já pertenceu aos seus adversários de esquerda: “Contra tudo isso que está aí”.

Evandro tem alguns poucos dias para despertar na cidade aquele momento mágico, muitas vezes observado, de alinhamento mental, quando a maioria para, observa e percebe o malogro de uma aventura arriscada sob a face “bom rapaz” de um despreparado. Se houver, tchau.

O desafio é que Evandro não está enfrentando um adversário de qualidades numeráveis: seu adversário é a mentira! O problema: a mentira deixou de ter pernas curtas desde que surgiram as redes sociais.

* 51% aprovam o presidente Lula e 45% desaprovam. 39% aprovam o governador Elmano de Freitas e 55% não.

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