
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, participou das discussões para retirar seu nome da estrutura societária da Bet.Bet, após o Ministério da Fazenda exigir a identificação do beneficiário final.
“Você não pode aparecer” e “você tem que sumir de lá” foram algumas das mensagens enviadas pelo então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, a Vorcaro entre setembro e outubro de 2024.
Segundo as conversas, Vorcaro teria participação indireta de 30% na casa de apostas, por meio da Bet Participações e do FIP Oracle.
O que as mensagens mostram
- Em julho de 2024, Vorcaro chamou a Bet.Bet de “essa bet nossa” e afirmou que, antes mesmo do lançamento, o negócio já faturava R$ 5 milhões por dia.
- Em setembro, Rennó informou que o Ministério da Fazenda exigia a identificação do beneficiário final do fundo Oracle.
- Dias depois, o advogado afirmou que Vorcaro “não pode aparecer” e sugeriu colocar outra pessoa na estrutura.
- Em 4 de outubro, Rennó escreveu: “Colocar um cara de confiança! (…) Vc tem que sumir de lá.”
- As conversas também registram discussões sobre debêntures conversíveis, aportes e recursos para a operação da bet.
- Em novembro, aparece a referência a R$ 30 milhões para a outorga e mais R$ 5 milhões — sem que as mensagens esclareçam a destinação desse valor.
- Em fevereiro de 2025, Rennó informou que os envolvidos haviam “saído da bet” e que a retirada formal seria concluída no mês seguinte.
Vá mais fundo: documentos apresentados posteriormente ao Ministério da Fazenda apontaram Adriano Garzon Correa, despachante de Nova Lima (MG) e sócio de Vorcaro em outras empresas, como cotista do Oracle.
Por que importa: as mensagens, segundo a reportagem do Valor, colocam em questão a estrutura utilizada para identificar o beneficiário final da Bet.Bet justamente no período em que o governo cobrava essa informação. O conteúdo, por si só, registra as conversas e decisões discutidas entre os envolvidos; a extensão das responsabilidades e eventuais irregularidades depende da apuração das autoridades.






