
Por Fábio Campos
Um dos mais inteligentes movimentos políticos da eleição presidencial partiu da senadora Kátia Abreu (PDT-TO), que foi candidata a vice de Ciro Gomes. Diante do argumento petista de que Jair Bolsonaro é a-encarnação-do-mau- que-precisa-ser-derrotada-em-nome-da-sobrevivência-da-democracia-brasileira, a pedetista propôs que Fernando Haddad (PT) renuncie à candidatura para que Ciro, terceiro colocado no primeiro turno, torne-se o candidato.
“Acharia muito digno se por acaso ele (Haddad) desistisse da candidatura vendo que pode entregar o País a um fascismo religioso”, afirmou, referindo-se a Bolsonaro. “A lei é clara. Se ele renunciar à sua candidatura, Ciro Gomes é o candidato. E é o único capaz de vencer Bolsonaro”.
Em praticamente todas as pesquisas realizadas ainda no primeiro turno, Ciro aparecia como o concorrente mais viável para enfrentar Bolsonaro no segundo. É claro que a fala da senadora é um gracejo político. Espirituoso.
Pois é. As pesquisas estão aí. O cenário é francamente favorável a Bolsonaro. Sendo assim, se petistas e suas áreas de influência consideram que o fascismo e o nazismo vão se instalar no País pelas mãos do candidato do PSL, então nada mais adequado do que, “em nome da democracia”, propor a retirada da candidatura do ex-prefeito de São Paulo.
Muito melhor que o vexatório mimimi é a atitude prática. Afinal, é para impedir um ditador que, afirmam, vai implantar a censura e o terror estatal. Não é? Ou será que para impedir a ascensão da ditadura só serve se for pelas mãos do PT? Com Ciro não serve não?
A chance disso (a retirada da candidatura) acontecer é quase nenhuma. Porém, a narrativa de que a-ditadura-vem-aí se tornou tão eloquente por parte de um nicho dos eleitores de Haddad que a provocação espirituosa de Kátia Abreu ganha todo o sentido. Ou será que a narrativa que toca o terror não passa de mais uma estratégia de cunho meramente eleitoral?







