Et Dieu créa la femme, segundo Roger Vadin; Por Paulo Elpídio

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Cena de “E Deus Criou A Mulher”, de 1956, estrelando Brigitte Bardot / Reprodução UFMG

“…mulher não é independente do homem, nem o homem independente da mulher”, Coríntios, 11.11

Confessou-me um amigo entrado em anos que a ele lhe parecia (cáspita!) o mundo seria muito enfadonho sem a presença da mulher.

Felizmente, entre os atos precursores da Criação, inscrevia-se na agenda do Criador a modelagem de Adão e o aperfeiçoamento da Sua Obra com o aplicativo para a criação de um arquivo. Ou o arquétipo de “feminino”.

Ponho-me a imaginar um mundo e todas essas civilizações milenares desprovidos — da mulher. Sem a sua ternura, mas também privados da sua inteligência, da sua perspicácia e sem as virtudes do bom senso e do equilibrio que salvaram os humanos de muitos riscos premeditados. É verdade, entretanto, que por elas, pelas artes da sedução, cedemos a muitas fraquezas…

Habitaríamos, hoje, à sua falta, um mundo carecido de graça e beleza. Não que a Deus, Criador atento e diligente de todas coisas, não houvesse ocorrido dar a Adão a companheira de estrada para encher-lhe os ouvidos de arrazoadas persignações.

Há quem possa admitir, entretanto, que o Criador revelava-se, dissimuladanente, na sua Oficina — “feminista”. Bem ou mal, a mulher veio para ficar no coração dos homens. As questões identitárias e de gênero que por agora mobilizam a humanidade. Neste vale de lágrimas, não haverão de fazer dessa doce convivência uma luta sem fim dos contrários.

A estratégia central da Obra de Deus consistiu, segundo depoimentos incontestáveis dos Apóstolos, testemunhas oculares dos grandes feitios da Fé, em dar-lhes vida e uma certa cumplicidade na obra de colonização da Terra — e da apropriação da riqueza que viessem a priduzir. Uma ideia acanhada de um pré-capitalismo primitivo…

A tarefa de povoamento do lugar não foi, ao modo de dizer, castigo infligido aos homens e às mulheres. Ao contrario, poucos encargos foram por eles cumpridos com tamanho interesse e reconfortantes prelibações, humanas, demasiadamente humanas…

Stanislaw Ponte Preta confessava-se “feminólogo”, não teria sido por outra razão haver criado as “certinhas do Lalau” e ter-se aplicado com sincero interesse pela mulher. Houve, entretanto, quem visse na mulher virtudes para além do envólucro estético que a protege ou expõe aos olhos dos homens e … das mulheres…

Que não me levem a mal por estas brincadeiras, não padeço dos males da misoginia. Nutro grande apreço por essas criaturas gentis. Tenho-as em casa, em família e nas estantes, em alegada intimidade. Vejo-as como encarnação do talento verbal do romance, como autoras e personagens.

Devo acrescentar mais alguma coisa em minha defesa e afirmação da elevada consideração em que tenho essa obra prima da Criação?

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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