Pesquisas Quaest: liderança sem garantia e eleição ainda em aberto em estados-chave

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Para entender
A nova rodada de pesquisas da Genial/Quaest oferece um dos retratos mais abrangentes até aqui do cenário eleitoral de 2026 nos estados. O Quaest faz pesquisas em dez estados, incluindo o Ceará. Até aqui, veja abaixo a fotogrfia de hoje. O levantamento reúne dados dos principais colégios eleitorais do país, contemplando dez dos estados mais populosos, o que permite uma leitura consistente das tendências nacionais a partir das dinâmicas regionais.

O momento político é particularmente sensível. Faltando cerca de quatro meses para as convenções partidárias, o quadro ainda está em formação. Muitos dos nomes testados sequer confirmaram candidatura, alianças seguem em negociação e, em vários estados, não há definição clara de palanques competitivos. Isso significa que os números captados agora refletem mais o reconhecimento e a força inicial dos atores políticos do que propriamente uma decisão consolidada do eleitorado.

Além disso, trata-se de uma eleição que tende a ser influenciada por múltiplas variáveis simultâneas: a força das máquinas estaduais e municipais, o grau de alinhamento com a disputa presidencial (verticalização), a formação de chapas e coligações, além de fatores imprevisíveis — como crises políticas, decisões judiciais e eventuais operações que possam impactar candidaturas.

Outro ponto central é o nível ainda elevado de indecisão, mesmo em cenários estimulados, o que reforça a leitura de que o eleitor médio ainda não entrou plenamente no jogo eleitoral. Em diversos estados, a disputa está mais organizada no campo político do que na cabeça do eleitor.

Nesse contexto, este panorama não deve ser interpretado como fotografia definitiva, mas como um mapa inicial de forças, indicando quem larga na frente, onde há equilíbrio e quais estados permanecem completamente abertos.

É, portanto, um cenário em movimento — com potencial real de mudanças relevantes até o fechamento das candidaturas.


METODOLOGIA
Levantamentos da Genial/Quaest realizados na segunda quinzena de abril de 2026, com entrevistas presenciais, amostras entre 1.200 e 1.600 eleitores por estado, margem de erro de ±2 a ±3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, com registro no Tribunal Superior Eleitoral.
Os dados abaixo são de cenários estimulados, considerando apenas nomes viáveis.


SÃO PAULO

Tarcísio de Freitas: 46%
Fernando Haddad: 30%
Márcio França: 8%
Paulo Serra: 4%
Branco/nulo/não sabe: 9%

Quem concorre / deve concorrer: Tarcísio (reeleição), Haddad (campo lulista), França (centro-esquerda)

Leitura analítica:
Tarcísio lidera com folga e se beneficia da máquina estadual e de uma coalizão já estruturada. Haddad mantém base, mas sem avanço consistente fora de nichos urbanos.
Cenário hoje é de continuidade, mas depende da consolidação das alianças.


MINAS GERAIS

Cleitinho Azevedo: 30%–37%
Alexandre Kalil: 14%–18%
Rodrigo Pacheco: 8%–12%
Mateus Simões: 3%–5%
Branco/nulo/não sabe: até 40%

Quem concorre / pode concorrer: Cleitinho, Kalil, Pacheco, Simões
Governador não concorre: Romeu Zema

Leitura analítica:
Sem sucessor natural de governo, o estado abre espaço para outsiders e nomes institucionais.
Pacheco surge como eixo de equilíbrio, com potencial de crescimento via alianças.
Cleitinho lidera, mas com voto ainda fluido.


RIO DE JANEIRO

Eduardo Paes: 34%–40%
Washington Reis: 10%–11%
Outros: até 6%
Branco/nulo/não sabe: até 40%

Quem concorre / pode concorrer: Paes, Reis, nomes ainda indefinidos da direita e do campo lulista
Governador não concorre: Cláudio Castro

Leitura analítica:
Paes lidera, mas enfrenta um campo adversário ainda em formação.
A ausência de um nome competitivo unificado mantém a eleição aberta.


PERNAMBUCO

João Campos: 43%
Raquel Lyra: 33%
Anderson Ferreira: 7%
Branco/nulo/não sabe: 13%

Quem concorre: Campos, Raquel, Ferreira

Leitura analítica:
Campos lidera com margem relevante, mas enfrenta uma governadora com estrutura e máquina.
A eleição deve se equilibrar com o avanço da campanha.


BAHIA

Jerônimo Rodrigues: 38%–42%
ACM Neto: 36%–40%
João Roma: 5%–7%
Branco/nulo/não sabe: 10%–15%

Quem concorre: Jerônimo, ACM Neto, Roma

Leitura analítica:
Polarização consolidada.
A força da máquina estadual e do governo federal se contrapõe ao capital político de ACM Neto.


PARANÁ

Sergio Moro: 40%–42%
Rafael Greca: 20%–22%
Enio Verri: 8%–10%
Branco/nulo/não sabe: 20%–25%

Quem concorre: Moro, Greca, Verri
Governador não concorre: Ratinho Júnior

Leitura analítica:
Moro lidera com consistência, herdando base conservadora.
Baixa fragmentação favorece previsibilidade.


RIO GRANDE DO SUL

Eduardo Leite: 26%–30%
Onyx Lorenzoni: 22%–25%
Edegar Pretto: 16%–20%
Branco/nulo/não sabe: 20%–25%

Quem concorre: Onyx, Pretto e outros nomes; Leite não concorre

Leitura analítica:
Disputa tripolar e instável.
Nenhum campo domina.


CEARÁ (Sai nesta quinta-feira, 29 com novidades), com cenários que inluem uma mescla com :

Elmano de Freitas
Roberto Cláudio
Capitão Wagner
Ciro Gomes

Leitura analítica esperada:
A presença de Ciro introduz imprevisibilidade e fragmenta o campo oposicionista.
A disputa deve refletir alianças locais e influência nacional.


LEITURA ESTRATÉGICA FINAL
Faltando cerca de quatro meses para as convenções, o quadro revelado pela Genial/Quaest é menos uma fotografia definitiva e mais um retrato em movimento. O cenário é marcado por:

  • Alta taxa de indecisão, mesmo em cenários estimulados
  • Estados com sucessão aberta, sem incumbente competitivo
  • Disputas dependentes de alianças ainda não consolidadas

Além disso, fatores estruturais ainda não plenamente incorporados aos números podem alterar o quadro:

  • Força das máquinas estaduais e municipais
  • Verticalização das eleições, com impacto das disputas nacionais
  • Definição de palanques presidenciais nos estados
  • Possíveis operações policiais e crises políticas
  • Reconfiguração de alianças locais

Em síntese:
Embora haja lideranças numéricas em alguns estados, o ambiente político permanece instável. A formação das chapas, o alinhamento com candidaturas nacionais e eventos imprevistos ainda têm potencial para redesenhar completamente o cenário. Há, portanto, muita água a rolar por debaixo das pontes até a definição real das disputas estaduais em 2026.

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