Só há um Messias; Por Emanuel Freitas

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Não adiantou o uso de uma pulseira com um dito bastante popularizado em nossos dias: “sempre foi Deus” – que é antecedido pelo “nunca foi sorte“. Também não adiantou lembrar sua “identidade evangélica“, dizer-se “servo de Deus” e orientado por “princípios cristãos me acompanham em qualquer jornada” de sua vida. Tampouco serviram as investidas a seu favor de nomes importantes do evangelicalismo brasileiro, com destaque para o deputado Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus.

Nem adiantou o sinal de afago, desconstruído ao longo do dia, que recebeu ao chegar ao Senado, do deputado, também evangélico, Sóstenes Cavalcante, como se vê abaixo:

Jorge Messias inscreveu-se historicamente como o primeiro nome na história, depois do governo de Floriano Peixoto, a ser rejeito para indicação ao STF, impondo importante derrota ao terceiro governo de Lula, às vésperas da eleição presidencial.

Por  certo, o leitor já leu muita coisa de ontem para hoje. Não irei repeti-las. Mas há um componente que merece registro.

A indicação de Messias, evangélico, era um tardio sinal do governo aos evangélicos, críticos ferrenhos da gestão petista e segmento no qual Lula ainda amarga índices importantes de rejeição e em que perde para Flávio Bolsonaro nas sondagens até aqui divulgadas.

Com a sonhada aprovação, Lula empataria na disputa com Jair Bolsonaro: dos dois ministros evangélicos no STF, um era indicado seu. Como poderia ser tido como inimigo dos crentes?

Não deu certo. Interpelado nas redes como o “Bessias” do impeachment de Dilma Rousseff, prestes a fazer 10 anos,  o ex-AGU foi alvo de intensa campanha por sua derrota, especialmente lembrado como “apoiador do aborto” e “amigo de Lula” – exatamente por isso, tido como um “falso evangélico“.

Na noite de ontem, “vitória da fé” era o que se lia em diversas postagens de parlamentares e lideranças da direita religiosa.

A cena abaixo mostra a intensa comemoração de dois deles: Magno Malta e Sóstenes, que quase pulou de tanta alegria e júbilo pela derrota do governo.

Fosse o governo forte em termos de apelo popular, poderia produzir movimentos em torno do “evangélicos derrotam indicação de evangélico para o STF“.

Não pode, contudo; não existe base aliada nem um presidente popularmente forte para isso. Perde-se mais uma tardia oportunidade de contemplar interesses do segmento.

Não esqueçamos: Flávio, que deixou suas digitais na derrota de Messias, é senador e evangélico. O governo explorará? Penso que não.

Bem poderia, caso fosse forte em termos de comunicação. Nesse caso, passados três anos, Lula nada aprendeu com o modo disruptivo de comunicação política inaugurado por Bolsonaro: chamar sua base e colocá-la contra o Congresso.

Foi-se mais uma oportunidade.

Como muito bem informa uma mídia que circula desde ontem, ao que parece, não há lugar para outro Messias no coração das lideranças evangélicas a não ser um outro, que não é o Nazareno: é Jair Messias.

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