
Por que importa: A decisão do presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Aldigueri (PSB), de disputar a reeleição para deputado estadual recoloca a sucessão da Mesa Diretora no centro das articulações da base governista. Nos bastidores, a mudança de rumo é interpretada como parte de uma estratégia política para preservar a influência do senador Cid Gomes (PSB) sobre o comando da Casa a partir de 2027.
O anúncio. Romeu confirmou, na noite desta quinta-feira (6), que buscará um novo mandato na Assembleia. A decisão, divulgada nas redes sociais, foi apresentada como resultado de entendimento com o governador Elmano de Freitas (PT), o senador Camilo Santana (PT) e o senador Cid Gomes (PSB). Na mesma publicação, anunciou a candidatura da esposa, Tainah Marinho Aldigueri, à Câmara dos Deputados.
O detalhe. A nota faz questão de registrar que o acordo não tratou da futura composição da Mesa Diretora da Assembleia para o biênio 2027-2028. A ressalva, porém, não diminuiu as especulações sobre a sucessão da presidência da Casa.
Nos bastidores. O Focus Poder apurou que a permanência de Romeu na Assembleia atende a uma construção política mais ampla. A avaliação é que sua presença amplia as condições para que Cid Gomes conduza a escolha do próximo presidente da Alece, sobretudo porque o PSB caminha para formar a maior bancada da Casa nas eleições de 2026.
Sem Romeu no Parlamento, interlocutores avaliam que Cid teria mais dificuldades para consolidar um nome de sua preferência dentro da futura maioria governista.
Contexto. A estratégia remete ao episódio ocorrido há cerca de dois anos, quando Cid anunciou que deixaria a base do governo após discordar da articulação que defendia a eleição de Fernando Santana (PT) para a presidência da Assembleia. Naquele momento, o senador sustentava que a tradição da Casa deveria ser respeitada, com a presidência destinada ao partido que reunisse a maior bancada.
Após uma negociação conduzida pelo governador Elmano de Freitas, o cenário mudou. Romeu Aldigueri, então integrante da maior bancada e sem vínculo político direto com Cid até aquele momento, tornou-se a alternativa de consenso. A solução encerrou a crise e levou Cid a rever a decisão de romper com a base governista.
O resultado. Desde que assumiu a presidência da Alece, Romeu construiu uma relação de confiança com os principais líderes da aliança governista. Nos bastidores, é reconhecido como um aliado leal tanto de Cid Gomes quanto de Elmano de Freitas, ajudando a consolidar uma convivência política considerada harmoniosa entre os dois grupos.
O que vem pela frente. Embora nomes como o do primeiro vice-presidente Danniel Oliveira (MDB) continuem sendo mencionados nas conversas internas, a definição da presidência da Assembleia permanece aberta. A decisão dependerá da composição das bancadas após as eleições e do equilíbrio político entre os partidos da base, mas a permanência de Romeu na Alece passa a ser vista como um elemento importante na estratégia para manter a influência do grupo de Cid sobre o comando do Legislativo estadual.







