
Há uma semelhança importante entre as disputas de Pernambuco e Ceará neste momento: nos dois estados, a eleição para governador chegou a um estágio em que dois candidatos concentram praticamente todo o voto, enquanto a distância entre eles está dentro da margem de erro.
Em Pernambuco, a nova pesquisa AtlasIntel, realizada entre 15 e 20 de setembro com 1.836 eleitores, coloca Raquel Lyra com 48,6% e João Campos com 47,4% no primeiro turno. A diferença de 1,2 ponto é inferior à margem de erro de dois pontos percentuais. Nos votos válidos, são 49,1% a 47,9%.
No Ceará, o levantamento AtlasIntel/Focus realizado no mesmo período encontrou Elmano de Freitas com 48,5% e Ciro Gomes com 48%, também dentro da margem de erro de dois pontos. É aí que está a principal semelhança: Pernambuco e Ceará apresentam, na fotografia mais recente da Atlas, eleições praticamente reduzidas a dois polos.
Pernambuco: a distância praticamente desapareceu
A série temporal da própria Atlas ajuda a entender o movimento. No levantamento anterior, realizado de 11 a 16 de setembro, Raquel tinha 48,7% contra 45,6% de João Campos. Agora, a diferença caiu para pouco mais de um ponto.
No novo levantamento, a disputa aparece assim:
1º turno — votos totais
- Raquel Lyra: 48,6%
- João Campos: 47,4%
- Ivan Moraes: 2,1%
- Renan: 0,8%
Votos válidos
- Raquel Lyra: 49,1%
- João Campos: 47,9%
- Ivan Moraes: 2,2%
- Renan: 0,8%
Ou seja: os dois principais candidatos concentram 96% dos votos válidos medidos pela pesquisa.
E o segundo turno reforça a semelhança com o Ceará
No cenário de segundo turno entre Raquel e João, a Atlas registra 49,2% para Raquel e 48,5% para João no total. Nos votos válidos, a diferença fica ainda menor: 50,4% a 49,6%. É uma fotografia de uma eleição extremamente comprimida. No Ceará, o cenário é semelhante: o Atlas/Focus aponta 49,7% para Elmano e 49,4% para Ciro no segundo turno, também em empate técnico.
O dado mais interessante está além do número principal
Em Pernambuco, a vantagem numérica de Raquel aparece acompanhada por indicadores de avaliação do governo. A governadora tem 52% de aprovação e 42% de desaprovação. Na avaliação de desempenho, 44% classificam seu governo como ótimo ou bom, contra 27% que o consideram ruim ou péssimo. Além disso, 51,8% dizem que ela merece ser reeleita, contra 45,2% que dizem que não.
Mas isso não se transforma em uma vantagem eleitoral larga. É justamente essa combinação que chama atenção: uma avaliação de governo relativamente positiva convive com uma disputa eleitoral praticamente empatada.
João também mantém um ativo importante
A pesquisa mostra João Campos com 53% de imagem positiva e 45% negativa, enquanto Raquel aparece com 51% positiva e 43% negativa. Portanto, os dois principais candidatos chegam à reta final com imagens relativamente próximas. Na rejeição, João aparece com 34,6%, enquanto Raquel registra 31,3%. Isso ajuda a explicar por que a eleição permanece tão concentrada mesmo diante da avaliação positiva da governadora.
O eleitor pernambucano também enxerga problemas muito concretos
A pesquisa identifica criminalidade como o principal problema de Pernambuco, apontada por 53,3% dos entrevistados. Em seguida aparecem acesso à saúde, com 46,8%, e qualidade da educação, com 26,3%. E há outro dado politicamente relevante: 55% dizem que Pernambuco está seguindo um bom caminho, enquanto 36% avaliam que o Estado está no caminho errado.
O paralelo com o Ceará
É aqui que a comparação fica interessante para a leitura da eleição cearense. Não se trata de dizer que os dois estados têm o mesmo eleitorado ou que as campanhas são iguais. As estruturas políticas são diferentes. Mas as pesquisas mais recentes revelam uma característica comum:
Pernambuco: Raquel 48,6% × João 47,4%
Ceará: Elmano 48,5% × Ciro 48,0%
E, no segundo turno:
Pernambuco: Raquel 49,2% × João 48,5%
Ceará: Elmano 49,7% × Ciro 49,4%
Em ambos os casos, portanto, a fotografia da Atlas coloca os dois principais candidatos dentro da margem de erro.
A leitura Focus Poder
O que Pernambuco acrescenta à leitura do Ceará é a dimensão de uma eleição que vai deixando de ser uma disputa de vantagem confortável e passa a ser uma disputa de consolidação de dois polos. Em Pernambuco, Raquel aparece numericamente à frente, mas a vantagem se estreitou. No Ceará, Elmano aparece numericamente à frente no Atlas/Focus, mas também dentro da margem de erro.
São duas eleições diferentes, com personagens e histórias políticas próprias, mas que chegam à reta final com uma característica semelhante: a distância entre os dois principais candidatos ficou pequena o suficiente para que décimos de ponto não possam ser tratados como vantagem estatisticamente estabelecida.







