Os novos dilemas de Camilo Santana

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Enquanto Cid Gomes soltava o verbo para cima dos petistas, Camilo Santana tirava um tranquilo selfie.

Fábio Campos
É evidente que o conflito desencadeado por Cid Gomes (PDT) terá significativas repercussões no jogo político do Ceará. A fala do senador eleito diante de uma platéia petista furiosa já apontou o rumo do grupo político cujo comando é centralizado na família Ferreira Gomes. No caso, distância do petismo. Porém, como fica Camilo Santana e sua filiação ao PT?
Pois é. Camilo terminou o primeiro turno dividindo com Ciro Gomes a carroceria de um caminhão que liderava a carreata a favor do candidato a presidente do PDT. Para bom entendedor, uma foto basta (por falar em foto, vejam a imagem simbólica acima).
No que diz respeito ao governador, o redemoinho de agora não terá significativos efeitos imediatos. Na medida do possível, Camilo vai cuidar de suas responsabilidades com a campanha de Fernando Haddad (PT). Na medida do possível, repita-se. Afinal, o filho de Eudoro Santana já tem experiência política suficiente para saber que prefeito do Interior tem faro político aguçadíssimo. Não é gente que goste de ir contra os ventos.
O próprio governador sabe muito bem que terá de manter pontes com Brasília caso Bolsonaro seja o eleito. Perguntem a Lúcio Alcântara, que comeu o pão amassado pelo tinhoso nos quatro anos em que permaneceu no PSDB enquanto Lula dava as cartas no Palácio do Planalto, entre 2003 e 2006, o tamanho do desconforto que sofreu.
Como decifrou uma fonte que conhece bem o governador, Camilo nem é PT raiz e nem reproduz o estilo FG. Camilo tem seu modo de ser, mas precisa impor-se diante de circunstâncias que podem ser bem mais difíceis do que as que se deram com o impeachment.
Outro ponto: o governador deve estar ressabiado pela derrota na eleição para o Senado (Eunício). Uma derrota que tem muito a ver com seus parceiros do PDT. Portanto, já deve ter ligado seu sinal de alerta. Afinal, demonstrado ficou que as bases lhe foram fieis na reeleição para o Governo, mas foram fieis ao sentimento emanado pelos FGs na eleição de senador.
A fonte faz a seguinte leitura diante do futuro pós-eleições presidenciais: “Haddad perdendo, a opção de (Camilo) sair do PT será considerada”. E explica: “Camilo vai se movimentar na realidade política, pragmaticamente. Se o PT ficar pouco relevante, assim será”. E lembra: “A resiliência (do governador) é por sabedoria. Não por fraqueza”.
Tão ou mais importante que a questão política, é saber qual a marca administrativa que Camilo vai imprimir ao segundo mandato. O sentido de mudança que o eleitor está emplacando nas eleições é sempre o melhor roteiro. Certamente, um governo impregnado de política e de políticos com suas eternas demandas não é um bom caminho. Mas isso fica para outro comentário que virá em breve.

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