Nesta quarta-feira (22/07), durante convenção do PL, o martelo foi batido: apenas Alcides Fernandes será o candidato ao Senado Federal pela sigla; Priscila Costa foi preterida frente ao “pai do André”.
Como ela mesma disse ao O Povo, por meio de sua assessoria, foi “impedida de ser candidata“.
Era o resultado mais do que esperado depois dos acontecimentos envolvendo Michelle Bolsonaro: com a saída de cena desta, todo o seu pleito seria, um dia ou outro, enfraquecido. Sinal de disso já foi dado quando, no momento em que Costa assumiria a presidência do PL Mulher no lugar de Michelle, o mesmo foi desfeito.
A peleja da deputada durou mais de um ano, desde que o primeiro anúncio de sua possível candidatura foi anunciada por Michelle e Valdemar da Costa Neto, expressando, segundo dito inúmeras vezes pela deputada, a mais pura vontade do Messias, Jair Bolsonaro.
Não adiantou: sua postulação esbarrou no interesse mais privado e familiar do líder do bolsonarismo local, que bateu o pé para fazer de seu pai o candidato da chapa de oposição, garantindo mais um quinhão para seu sobrenome – sua família; família, aliás, e seus interesses, é a mola mestra da atuação dos conservadores, não é mesmo?
Por que André abriria mão da oportunidade de ampliar a presença de sua família no poder institucional?
Priscila ganhou notoriedade nacional ao ser a vereadora mais votada do Nordeste, em 2024, com mais de 36 mil votos. Ampliou sua notoriedade na posição de vice-presidente do PL Mulher, ancorando-se no carisma de Michelle, mas fomentando o seu próprio carisma – quem já esteve com ela sabe que, além de excelente oradora é uma persona carismática. Constituiu-se como promessa de liderança feminina.
Talvez tenha sido exatamente isso, como já apontei aqui, o que lhe descredenciou frente a Fernandes e seu grupo: sua expressiva votação numa eventual candidatura ao Senado a poria em posição de liderança conservadora, e feminina, o que ameaçaria, por certo, as próximas movimentações do líder alencarino – a eleição de 2028 está bem aí.
O processo, que se arrastou por mais de um ano, foi produtor de rusgas as mais diversas, e deve acarretar marcas na relação de Priscila com seu grupo. Páginas em redes sociais trataram de acusar suas aspirações, postagens as mais diversas desacreditando suas declarações e sua postulação, chegando mesmo a insinuar ser ela uma “feminista” no lugar errado. Algumas postagens até sugeriram que a “raiva” de Michelle era por não ter conseguido fazer de Priscila a candidata, o que havia pedido para a composição com Ciro, mas não conseguindo, esbravejou.

Parlamentares, seus correligionários, psocionaram-se ao lado de André; nenhuma solidariedade, nem sororidade, se viu entre seus pares. Em vários momentos, a deputada Silvana Oliveira, por exemplo, falou que Priscila não havia “conquistado o grupo“. O grupo estaria aberto à tal conquista, ou já havia sido seduzido, por completo, pelo canto da sereia das instâncias de comando?
Com a decisão do partido por impedí-la de ser candidata, mais do que Priscila, perde o Ceará ao deixar de ter uma candidatura feminina com capilaridade dentro de seu campo na disputa majoritária – toda a chapa oposicionista é ocupada por homens.
Em abril último Kerolaine de Castro defendeu sua dissertação de Mestrado em Sociologia, sob minha orientação, sobre as campanhas eleitorais de Priscila (em 2022 e 2024). Conseguimos identificar dois ethos: a mulher comum e a braba.
Na peleja deste último ano, em alguns momentos, sobretudo nos finais, Priscila encenou a braba – “copa sem Neymar é como eleição pro Senado sem Priscila“, “o jogo só acaba no final” ou mesmo as declarações que foi dando em diversas entrevistas, como a mais recente, ao podcast IronTalks. Não chegou a fazer como Michelle e Damares Alves – não falou de violência política de gênero; mas é disso que se trata.
Restou-lhe, sob as ordens do líder local ao grupo, que obedece-lhe como uma horda ao líder, o lugar da mulher comum, cujas aspirações são sacrificadas frente aos objetivos do chefe, trasmutado no “bem grupal“.







