
O Pix e a Polícia Militar aparecem como dois dos principais pontos de convergência em um Brasil marcado pela polarização política.
Pesquisa Genial/Quaest, obtida e divulgada por O Globo, mostra que 80% dos brasileiros confiam no Pix, o maior índice entre os 16 itens avaliados.
Mais do que liderar o ranking, o Pix atravessa a divisão ideológica.
Entre eleitores de direita não bolsonarista, 87% dizem confiar no sistema. Na esquerda não lulista, são 88%. Entre os independentes, três em cada quatro também confiam.
Por que importa: criado pelo Banco Central, o Pix se tornou parte da rotina financeira do brasileiro e um raro consenso em meio à disputa política.
Disputa eleitoral
O sucesso do Pix transformou o sistema em ativo político.
Em 2025, o governo Lula recuou de uma norma da Receita Federal após a oposição disseminar a narrativa de que haveria taxação do Pix. Um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o tema alcançou 200 milhões de visualizações.
Agora, Lula explora o Pix como símbolo de soberania nacional diante de críticas do governo Donald Trump ao sistema brasileiro.
No outro campo, aliados de Flávio Bolsonaro passaram a repetir que o Pix seria “do Brasil e do Bolsonaro”.
Em comum: nenhum dos lados quer assumir o risco político de se colocar contra o Pix.
A força da PM
A Polícia Militar também apresenta altos níveis de confiança entre diferentes segmentos políticos.
Na esquerda não lulista, 75% dizem confiar na PM. Na direita não bolsonarista, o índice chega a 85%.
O resultado ganha peso em um momento em que a violência aparece entre as principais preocupações dos brasileiros.
Instituições políticas
A pesquisa registra melhora na confiança em instituições políticas com a aproximação do ciclo eleitoral.
- Presidência: 57%
- STF: 50%
- Congresso: 49%
- Partidos políticos: 44%
Apesar da melhora, os partidos continuam enfrentando maioria de desconfiança: 55% não confiam nas legendas.
Urnas perdem força
A confiança nas urnas eletrônicas caiu de 78%, em 2022, para 65% atualmente.
No STF, a polarização é mais evidente entre bolsonaristas: 73% dizem não confiar na Corte.
O dado político
A pesquisa expõe uma espécie de mapa da confiança no Brasil.
Pix e PM conseguem atravessar a fronteira entre esquerda e direita. Já instituições diretamente associadas à disputa política — como partidos, Congresso, Presidência, STF e urnas — apresentam maior exposição à polarização.
Em uma eleição cada vez mais marcada pelo confronto entre campos políticos, os dois maiores consensos podem estar justamente fora da política partidária.







