O homem cordial brasileiro existiu em algum tempo? Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

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Operários, de Tarsila do Amaral (1933) | reprodução.

“O ideal do governo totalitário […] é transfirmar os homens em algo de tal modo desumanizado que eles se tornam incapazes de distinguir entre fato e ficção e entre verdade e mentira”, Hanna Arendt – “As Origens do Totalitarismo”, 1951

Paulo Elpidio de Menezes Neto

A tomada do poder ocorria, no tempo das revoluções, pelo descontentamento popular, pela pobreza, pela esperteza das lideranças radicais e pelo ativismo ideológico.

A conquista dos poderes do Estado e o domínio dos instrumentos do governo resultam, nestes novos espaços de modernidade democrática, de uma estratègia “planejada”, com recursos de persuasão apoiados em uma “pedagogia da libertaçāo” baseada em uma fórmula simples e eficiente de desorganização política da sociedade. Tudo segundo uma pauta inspirada pela receita gramsciana de uma revolução “cultural” persistente, da quebra das instituições e desorganização da estrutura familiar, alvos privilegiados da estratégia de um projeto de poder.

Paira a impressāo, a uma primeira avaliação, superficial, ainda assim reveladora, que se nada ocorrer, nestes novos tempos, por acaso ou descaso, a culpa caberá aos poderes públicos e aos agentes investidos de autoridade.

A persistência da violência, a amplificaçāo da ação criminosa com fortes características de organização, a ocupação de zonas urbanas por milícias e facções, é o cenário descortinado em um momento particularmente grave da vida política brasileira.

A polarização que domina a sociedade oferece, no Brasil, a imagem de um processo autoritário no qual se projetam as raízes totalitárias da nossa formação histórica. O que está a aflorar diante dos olhos atônitos dos brasileiros recebemos por herança e legado de uma convergência de sentimentos e valores que nos fizeram como somos ou como nos tornamos…

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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