
Por Edvaldo Araújo
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Uma mensagem do Governo do Estado criando uma Superintendência de Pesquisa e Estratégia começou a ser analisada pela Assembleia Legislativa nesta quarta-feira, 9. Os discursos situacionistas (reforçando o conceito do projeto) e oposicionistas (sobre o “timing” e sobre a criação de empregos) não conseguem absorver a verdadeira torpeza da criatura que se propõem a criar.
A grande questão ainda é: por que os governos estaduais (isso não é exclusivo do governo do Ceará) ainda preferem esconder a Polícia Civil embaixo do tapete?
A Polícia Civil é o resultado de uma complexa equação em que nós nos jogamos. No período da ditadura militar, todos os recursos eram destinados à Polícia Militar. A inteligência, vinculada à atividade do Estado, ficava restrita à Polícia Federal, que começou a formar grandes quadros. A “irmã-pobre estadual” padecia entre estruturas paupérrimas; pessoal abandonado, sem preparo e mal remunerados; e a uma inteligência que se limitava a memória de cada policial (delegado ou agente). Cabiam aí “almas” e outras coisas mais.
Veio a Constituição Federal de 1988 e, por passe de mágica, vimos a Polícia Civil transformar-se em Polícia de Investigação, órgão que deveria ter em seu papel principal desenvolver inteligência e estratégia. O que cabia no papel ficou lá. A Polícia Civil continuou na mesma, apesar das novas atribuições.
E assim se passaram 30 anos.
O projeto da nova superintendência apenas joga para plateia: incha a estrutura e enfraquece que já existe. Infelizmente, os governos estaduais parecem continuar a temer a “nova” polícia civil, que espera para nascer desde 1988.
Talvez porque a Polícia Federal tenha demonstrado que independência e inteligência não podem andar juntas.







