Ciro Gomes e seu “ser ou não ser” para a direita cearense

COMPARTILHE A NOTÍCIA

A semana que passou deve ter despertado a atenção da oposição de direita no Ceará; caso não, deveria.

Formada por expressões contumazes do bolsonarismo local (tendo os deputados André Fernandes, Dra Silvana e Jaziel à frente), por outros nomes da direita nem tão bolsonarizados assim (como Capitão Wagner, cuja expressão política adveio mais da oposição aos “Ferreira Gomes”) e, como consequência direta da fragorosa derrota eleitoral de 2022 (de Ciro e Roberto Cláudio), a ela juntaram-se quadros do PDT- juntos, os três núcleos da oposição cearense apostam todas as fichas e energias, desde o ano passo, na candidatura de Ciro Gomes ao Palácio Abolição, cujo lançamento estaria marcado para os próximos dias.

Ocorre que, na semana que passou, dois fatos merecem ser destacados nessa relação de confiança repentina entre Ciro, seu grupo e os bolsonaristas alencarinos.

Primeiro, as declarações de Ciro em evento do PSDB realizado em São Paulo:

“Na última eleição eu me senti profundamente humilhado por uma campanha fascista que me negou o próprio direito de participar. E eu, se tivesse juízo mesmo, não chegaria mais perto dessa quadra política fascista de lado a lado nem para dar os parabéns nem os pêsames. Nesse pleito é presidente ou governador. Um dos dois. No fim da primeira quinzena de maio, eu tomo a decisão”.

O “lado a lado” da quadra política diz respeito ao lulismo-bolsonarismo; de um, mantém distância irreconciliável; do outro, uma proximidade de morde-e-assopra.

Ademais, não cravou que cargo disputará. Não deu certeza aos que, aqui, têm a certeza de que ele será o candidato. A oposição, por sua vez, não tem dúvidas: é Ciro ou nada!

Segundo, os números divulgados na Genial Quaest. Mesmo aparecendo à frente do governador Elmano de Freitas, isso se dá por apenas 9 pontos percentuais; porém, enfrentando Camilo Santana, Ciro está 13 pontos atrás.

No recorte da pesquisa, em apenas três segmento Elmano tem reprovação maior do que aprovação: evangélicos (47%), direita não-bolsonarista (72%) e direita bolsonarista (64%) – setores em que, de fato, não há expectativa de voto em massa no petista.

Logo, em todos os outros segmento, com a campanha nas ruas, Elmano pode crescer e Ciro minguar.

Tem mais: pesquisas com o teste do nome de Ciro para presidente sairão nos próximos dias.  E, se ele partir com dois dígitos, não será picado pela mosca azul e partirá para a disputa nacional, como o quer seu irmão Cid Gomes, deixando a direita alencarina a ver navios?

Nessa possível movimentação, poderá sobrar um bom espaço para Eduardo Girão.

Veremos nos próximos dias.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

O Brasil que não acabou: a escala 6×1 e a história das mudanças que prometiam o caos

Sócia da Fraport, Lufthansa compra metade da TAP e o Ceará pode ganhar uma nova ponte aérea com a Europa

Cláusula de barreira põe dois federais a mais no colo do PSB de Cid Gomes

Com aplausos, Kátia Abreu expõe incômodo no PT: “Paulistas sem voto” e “menos Janja, mais Alckmin”

Atlas/Focus para presidente no Ceará: Lula amplia vantagem e chega a 60,8%; Flávio tem 28,9%

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado

Atlas/Focus: Elmano 49,9% x Ciro 49,6% dos votos válidos; Ceará chega à urna separado por um fio

Focus/Atlas: Aprovação de Elmano vira a favor; Avaliação do governo melhora, mas continua dividida

Atlas/Focus: Cid e Luizianne nas duas primeiras posições no Senado; dupla abre vantagem sobre Wagner e Alcides

Atlas/Focus: Elmano avança entre os mais velhos e nas faixas de maior renda; Ciro concentra vantagem entre jovens

Atlas/Focus a seis dias da eleição: Elmano 49% x Ciro 47,6%

Coligação de Ciro Gomes tenta barrar pesquisa Atlas/Focus, mas TRE rejeita e impede censura

MAIS LIDAS DO DIA

Atlas/Bloomberg: Flávio abre 2,2 pontos sobre Lula

BTG/Nexus: Flávio Bolsonaro tem 46,5% e Lula, 45,9% no 2º turno

Ceará recebe 97,6 mil turistas estrangeiros em nove meses, alta de 23%

Setor de minerais críticos gera 129,4 mil empregos no Brasil em 2025, aponta ANM

TRE-CE altera locais de votação em Fortaleza, Palmácia e Quixadá para o 2º turno