Análise Datafolha: o jogo acabou? Longe disso

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Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br
Em um espaço de cinco dias, duas pesquisas do instituto Datafolha mostram a dinâmica da movimentação dos eleitores durante a semana. Em resumo, os resultados são bons para Jair Bolsonaro (PSL), que mantém a liderança folgada com oscilação positiva, e são melhores ainda para Fenando Haddad (PT), que cresceu praticamente a uma média de um ponto por dia nesse período.
Para Ciro Gomes (PDT), os 13% mantidos em relação à pesquisa anterior apresenta uma candidatura que se sustenta bem diante de um quadro político repleto de alternativas. A má notícia para Ciro é o forte crescimento de Haddad nos estados da Região Nordeste. Nessa área, reinava absoluto, mas foi ultrapassado pelo petista que já o vence por 20% a 18%. Registre-se ainda a aproximação de Bolsonaro, que passou a ter 17% na Região.
O fato é que o Nordeste se tornou um campo de batalha decisivo. Nunca o eleitorado da região se mostrou diluído entre três opções. Haddad, Ciro e Bolsonaro detêm hoje mais da metade dos eleitores nordestinos. Aqui, o efeito Lula se mostra ainda muito poderoso, fato que tende a se reroduzir também no Norte e nos bolsões de pobreza que se espalham no País..
Marina Silva (REDE) tende a continuar definhando. Nesse ritmo, pode terminar a campanha do tamanho que hoje tem João Amoêdo (NOVO).
Geraldo Alckmin, o dono do latifúndio do horário eleitoral, teve até aqui a sua pior notícia com a oscilação negativa de 10% para 9%. Ou seja, as potentes armas dos programas e inserções eleitorais não estão funcionando a seu favor. Pior é que agora terá que abrir outra frente. Se antes só se preocupava em minar Bolsonaro, terá que voltar sua artilharia também para Haddad.
Um dado fundamental: o grupo de centro-direita se mantém líder absoluto na disputa. As candidaturas que se colocam nesse lado somam 44% das intenções de voto contra 35% da centro-esquerda. Por isso a aposta do tucano em buscar o voto útil. Para isso, tem que convencer parte do eleitorado de Amoedo, de Meirelles, de Álvaro e até de Bolsonaro, apresentando-se aos eleitores não convictos desses candidatos que é a opção mais segura para evitar uma nova vitória da esquerda (nesse caso, Haddad ou Ciro, considerando a tendência descendente de Marina).
Há uma tendência hoje? Pelo que diz a pesquisa, sim. A saber: Bolsonaro no segundo turno e uma disputa pela segunda vaga entre Cirto e Haddad. Não será fácil para Ciro. Além da forte influência do efeito Lula no Nordeste e Norte, há ainda um ponto a se considerar. No caso, uma militância aguerrida e ressentida no petismo que tem energia para ir às ruas e à boca de urna. Ciro não tem esse elemento, além de um tempo de TV algumas vezes menor que a do petista.
E Bolsonaro? Pois é. É um candidato que provavelmente não participará fisicamente da campanha. É possível que, no dia da eleição, Bolsonaro esteja ainda enfermo, no hospital. Será que isso influenciará positivamente ou negativamente a decisão do eleitor. Bom, a aguardar.
O jogo está decidido? Longe disso. Já escrevi em outro comentário de que a disputa presidencial mantém semelhanças com disputas de prefeituras de capitais. Nesses campos, são comuns as fortes movimentações de eleitores na última hora. Nesse momento, o mais importante para o grupo da frente é não oscilar para baixo e, quando possível, estabelecer uma tendência de crescimento, mesmo que lenta e gradual.
No entanto, podemos dizer que o jogo já corre nos 30 minutos do segundo tempo. Quem está atrás, precisa fazer operações de ataque. Porém, sempre deixando os flancos abertos para levar contra-ataques fatais.
E o mercado? Ora, o mercado pratica a sua especialidade. Vai precificando o retrato do momento. Muitos ganham com o câmbio nervoso. Mas, há um fato: do ponto de vista desse setor, o quadro está mais para pesadelo do que para sonho.
Ps. Em breve, novas análises.
 
 
 

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