De olho em 2022, Cólera de Cid é ruptura com o PT

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Tudo em nome da nova meta: Ciro 22

Por Fábio Campos
Convocado pelo governador Camilo Santana (PT), o evento que marcaria a formação de uma frente com o PDT e outras siglas aliadas a favor de Fernando Haddad (PT) no Ceará se transformou numa espécie de ato de ruptura dos Ferreira Gomes com o PT e o petismo. Uma explosão de cólera de Cid, vaias de militantes petistas, aplausos dos pedetistas. Foi o resumo. Porém, serão muitos os efeitos dessa ocorrência. A ruptura é apenas uma delas.
Para dar um ar pluripartidário ao evento, os organizadores colocaram Cid Gomes (PDT) para ser o primeiro orador. Foi o suficiente para as reclamações iniciais do senador eleito. Com razão, Cid explicou que o colocaram em situação constrangedora. Seu candidato no primeiro turno foi outro. Outros oradores deveriam ter iniciado para que ele tivesse tempo de se acostumar, disse. As coisas foram só piorando daí por diante.
As palavras de Cid são do tipo sem volta. Depois de tudo o que aconteceu na campanha, quando o PT deu seguidas rasteiras em Ciro, e culminando com o conflito da noite de segunda-feira, é muito improvável que a aliança PDT-PT consiga se manter no Ceará por muito mais tempo. Eu diria que foi o fim.
As apostas estão abertas. Quanto tempo vai durar a estadia de Camilo Santana no PT? Cid ainda se mobilizará de alguma forma para fazer campanha por Haddad?
Está claro que o modelo adotado por Cid se relaciona com a leitura de que o PT vai se esfarelar. Para alguns analistas, a sigla segue a tendência de reproduzir aqui o rumo dos partidos comunistas europeus, que desmilinguiram até a extinção (se não me engano, resta apenas o PC de Portugal, que manteve-se numa incrível trajetória de coerência).
Está claro que Cid e Ciro veem a derrota de Haddad como favas contadas. Os Ferreira Gomes são profissionais da política. Sentem o cheiro de queimado de longe. Sempre souberam se antecipar às mudanças que, em pouco tempo, se concretizaram. Para uns, oportunismo. Para outros, inteligência a favor do pragmatismo político e da sobrevivência de seu grupo. E agora, em jogo, a sobrevivência daquilo que o PDT já chama de “Projeto Ciro 22”.
Cid chamou o PT de hegemonista, metido a dono do Brasil e que aparelhou o Estado. Foi como uma catarse. Isso não tem volta. Antes do ato, o futuro senador falou com alguns jornalistas. Nas declarações, já deixava clara a meta: Ciro 2022. No momento, é o que importa para ele e seu grupo político.
Claro que ainda há pela frente a decisão acerca do papel a ser exercido no provável governo de Jair Bolsonaro (PSL). Indo para a oposição, a única roupa que serve ao PDT é ter o predomínio nesse campo e se desatrelar do PT. Nesse sentido, há uma articulação com o PSB para formar uma bancada maior que a petista na Câmara dos Deputados.
A hora é de ficar atento aos sinais. Vamos ver como se comportam os prefeitos e os deputados nesse segundo turno. Vamos comparar as votações obtidas por Haddad e Bolsonaro cidade por cidade. Ainda há um bom espaço de tempo entre a eleição de 28 de outubro e a posse do presidente em primeiro de janeiro. É preciso observar os movimentos até lá.
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