Flávio, o “Bolsonaro”, vê “prosperidade” no Bolsa Família; Por Emanuel Freire

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O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está numa operação contínua para produzir uma imagem sua que seja o menos bolsonarizada possível. Isso inclui diversos vídeos em que é apresentado como “moderado” em vídeos postados em suas redes – o objetivo, por óbvio, é conquistar votos que ainda não simpatizam com o radicalismo, mas não quererão ir em direção a Lula (PT).

Na última segunda-feira (15/06), em um desses eventos que grandes grupos empresários costumam fazer com candidatos a presidente para sabatiná-los quanto a seus interesses corporativos, travestidos de “interesses da nação”, o senador falou à Revista Veja e, num tom inaudito, reconheceu que seu pai, Jair Messias Bolsonaro (PL), havia sido “preconceituoso” no trato com a imprensa – por óbvio, suavizou o tratamento que, de fato, seu pai deu à jornalistas os mais diversos, e a órgãos de imprensa, fazendo circular inverdades, tratando com certa violência e incitando seus seguidores a um tratamento cada vez mais hostil, levando o Brasil, várias vezes a constar em listas de alertas quanto ao perigo que oferecia ao trabalho de jornalistas.

Mas, voilà, Flávio disse o seguinte:

“Esse foi um dos problemas que eu identifico no governo do presidente Bolsonaro. O relacionamento com a imprensa, o preconceito muitas vezes de quem estava gerindo o orçamento para publicidade com relação a alguns veículos de comunicação. Isso, obviamente, tem que ser mudado radicalmente. É um aprendizado de uma coisa que eu acho que foi feita errada e que a gente não precisa repetir. Pode fazer muito melhor e assim será num possível governo meu”.

Difícil imaginar um membro do clã a considerar mudar “radicalmente” o tratamento dado à “Globo lixo“, como costumavam falar.

Foi uma declaração estilo “afaga ego“, “palatável” a quem estava a ouvindo-o.

Outra declaração – na verdade, um conjunto de declarações – parece mais importante.

O presidenciável, membro de um campo político cujo  ideário se alimentou, dentre outras coisas, de uma fortíssima oposição ao programa de transferência de renda Bolsa Família, disse ali, diante dos jornalistas – e de parte do mercado financeiro, que frequenta e financia parte desses encontros – que havia “um preconceito em relação a quem está no Bolsa Família“, que alimentaria a ideia de que o beneficiário “não quisesse trabalhar“.

Sim, senador, há “muita gente” com tal pensamento – e um número elevadíssimo dessa “muita gente” constitui sua base de apoio, popular e legislativa; seu pai, e vossa excelência, inclusive, disseminaram, e muito, tal ideia – sugerindo, tantas vezes, que ele estimulava o aumento da prole.

Agora, porém, nas proximidades da campanha e necessitando espraiar seu eleitorado nos mais diversos segmento, o Bolsa Família lhe aparece como um “direito adquirido“, e que “qualquer país do mundo tem um programa para pessoas de baixa renda que têm dificuldade alimentar“.

Suas declarações sobre o programa mereceram até uma postagem em suas redes, com cortes de sua fala, sob a seguinte legenda: “Nenhum brasileiro fica para trás. vamos cuidar de todos os brasileiros e garantir que todos possam trilhar o caminho da prosperidade. O Brasil tem futuro“.

Bom, a campanha está em curso. Se pudesse dar um conselho à sua equipe de marketing, sugeriria um trocadilho:

“FB (Flávio Bolsonaro) é BF (Bolsa Família)”!

 

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