Mesmo com recuo dos EUA, calçado e vestuário do Ceará seguem na mira do tarifaço

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Os Estados Unidos oficializaram nesta semana uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, em medida anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) por determinação do presidente Donald Trump. A sobretaxa entra em vigor em 22 de julho e amplia uma lista que já incluía o etanol — agora soma açúcar orgânico, máquinas agrícolas, vestuário, calçados, máquinas elétricas, ferramentas de jardinagem, equipamentos de mineração, papel, aço e diversos produtos manufaturados.

A medida tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite a Washington retaliar práticas de outros países consideradas desleais. Segundo o USTR, a investigação apontou seis áreas em que medidas brasileiras prejudicariam agricultores, trabalhadores e exportadores americanos, do comércio digital ao desmatamento ilegal. Produtos como carne bovina, café, petróleo e laranjas ficaram fora da lista, por serem considerados sensíveis à economia dos Estados Unidos. Há ainda uma regra de transição: cargas já embarcadas antes de 22 de julho escapam da sobretaxa se chegarem aos EUA até o dia 29. O governo brasileiro classificou a data como um “marco lastimável” nas relações entre os dois países e anunciou que vai acionar a Lei de Reciprocidade.

Junto do anúncio, o USTR ampliou a lista de itens isentos da sobretaxa, que passou a cobrir mais de dois mil produtos — carne bovina, café solúvel, laranja e peças aeroespaciais, entre outros, ficaram de fora. Mas o recuo não alcançou os setores que mais pesam para o Ceará: calçados e vestuário seguem taxados, cadeias produtivas historicamente relevantes para a economia do estado, com forte presença de pequenas e médias empresas exportadoras.

Mesmo com o recuo, a advogada Andréa Aquino, presidente da Comissão de Direito Marítimo e Portuário da OAB/CE, avalia que o setor exportador cearense não pode tratar a tarifa como um problema passageiro. “A ampliação da lista de isenções mostra que há espaço de negociação, mas calçado e vestuário ficaram de fora. Isso muda a equação de competitividade de quem exporta para os Estados Unidos, e empresa nenhuma deveria esperar a próxima rodada para agir”, afirma.

Segundo ela, a resposta mais eficaz passa por diversificação. “O primeiro movimento é buscar novos mercados. União Europeia, países do Oriente Médio e da América Latina têm demanda para os mesmos produtos que hoje dependem demais do mercado americano. Quem só vendeu para os EUA nos últimos anos vai sentir o impacto com muito mais força”, diz Andréa Aquino.

A advogada também recomenda revisão de contratos e de rotas logísticas das operações de exportação. “Vale reavaliar contratos de frete, portos alternativos e até certificação de produto para outros mercados. Empresa que se planeja agora sai na frente; quem esperar para ver como fica vai competir por um espaço cada vez menor”, conclui.

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