
Por Fábio Campos
Otávio Frias Filho, diretor de Redação da Folha de S.Paulo, morreu na madrugada desta terça-feira aos 61 anos. O editor foi vítima de um câncer no pâncreas. À frente do jornal que, durante décadas, influenciou de maneira decisiva os rumos do jornalismo brasileiro, Frias foi mentor do projeto que modernizou a Folha ainda na década de 1980.
“À frente do jornal por 34 anos, Otavio foi diagnosticado com a doença em setembro de 2017. Morreu às 3h20 desta terça-feira no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O velório ocorrerá a partir das 11h30, e a cerimônia de cremação, às 13h30, ambos no cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra”, diz a Folha.
Comentário: conheci Otávio Frias Filho numa visita do editor, dramaturgo e ensaísta a Fortaleza no final da década de 1980. Veio aqui explicar o modelo de jornalismo adotado pela Folha que tornou o jornal paulista o mais influente do Brasil, além de líder em circulação e em audiência.
Numa conversa com um grupo de jornalistas, Frias relatou a extrema importância de se dedicar ao pluralismo em um momento em que o País ainda dava os primeiros passos da transição para fora da ditadura. No início da década de 1980, a Folha já havia sido marcante na cobertura da campanha pelas eleições diretas.
Chamou-me a atenção a timidez de Frias. Tinha dificuldade de encarar a platéia. Ao expor o “projeto Folha”, falou durante quase uma hora em um evento (se não me engano, no antigo hotel Othon) de forma serena, sem arroubos e com o olhar para baixo.
Nesse evento, Frias falou uma frase que, para mim, foi bastante significativa quanto ao seu entendimento do jornalismo. Algo assim: “O bom jornalismo não é simpático ao poder”.







