Porque as pesquisas de opinião pública funcionam, por Maurício Garcia

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Maurício Garcia é sociólogo graduado pela FFLCH-USP, tem pós-graduação pela Fundação Escola de Sociologia de São Paulo (onde já lecionou) e pela ECA-USP (em marketing). Trabalhou mais de 20 anos no IBOPE, maior instituto de pesquisa da América Latina e como pesquisador é associado à Wapor (World Association for Public Opinion), tendo participado de diversos congressos da entidade pelo mundo. Também como pesquisador, foi vencedor do Prêmio Alfredo Carmo, oferecido pela ABEP (Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa), como melhor trabalho no 7º congresso da entidade com o estudo “A eleição para deputados em 2014 – Uma nova Câmara, um novo país”. Garcia é o mais novo articulista Focus.

O IBGE divulgou que a população do Brasil ultrapassou a marca de 210 milhões de habitantes. Fortaleza continua como a quinta maior cidade brasileira, com exatos 2.669.342 habitantes, com um crescimento de 1% em relação à população do ano passado.
Sempre que uma eleição se aproxima, na cabeça do eleitor médio há uma grande dúvida: como, no caso de Fortaleza, mais de 1 milhão e 700 mil eleitores podem ser representados em uma pesquisa com apenas 600 entrevistas, por exemplo. O princípio fundamental da estatística que está por traz dessa “mágica” é o de amostragem.
Paralelamente, quando precisamos de um exame médico para confirmar qualquer problema em nosso corpo, não precisamos tirar todo nosso sangue para saber se temos ou não algum problema. Geralmente apenas uma gota é suficiente para o exame. Isso explica que uma amostra pequena pode representar o todo.
Outro paralelo importante: quando fazemos uma sopa, ao colocarmos o sal, não precisamos tomar tudo o que está na panela para vermos se ela ficou salgada ou insonsa. Mergulhamos a colher e experimentamos uma “amostra” apenas. Porém, intuitivamente, ao colocarmos o sal, imediatamente, mechemos a sopa com a colher, misturamos o sal por toda a sopa. Se colocarmos o sal e imediatamente colhermos uma amostra exatamente de onde o sal foi colocado, a sopa estará muito salgada. Assim como se jogarmos o sal num canto e imediatamente colhermos uma amostra do outro lado da panela, sem misturar a sopa, ela estará insonsa. Isso mostra que temos que ter sempre uma amostra representativa do todo. Isso também serve para uma amostra de pesquisa eleitoral.
Graças ao IBGE e ao TSE, temos o perfil demográfico detalhado da população/eleitores de um município: quantos são homens, quantos são mulheres, quantos são jovens, quantos são adultos, quantos são mais velhos, quantos são analfabetos, quantos são mais instruídos, e quantos moram em cada bairro. O grande desafio é representar, no caso nessas 600 entrevistas da amostra, esse mesmo perfil demográfico dos 1 milhão e 700 mil eleitores.
Pode parecer fácil, mas não é tanto como se supõe, dá um certo trabalho, mas é absolutamente possível de ser realizado, e em pouco tempo, já que o processo eleitoral é rápido. E a pesquisa precisa ser rápida também, porque durante uma campanha uma outra questão fundamental ocorre: as pessoas, influenciadas justamente pelos estímulos de comunicação das campanhas (e eles são cada vez maiores e mais dinâmicos com as mídias sociais), podem mudar de opinião. A opinião pública é dinâmica (muito dinâmica) e os institutos devem estar atentos para entender suas movimentações.
A opinião pública é dinâmica, mas cada pesquisa é estática, de um momento específico no tempo. São fotografias de um tempo determinado, de um instante. Cabe ao instituto tirar uma boa foto, de um bom ângulo, de um ângulo firme e seguro, com um bom foco, sem tremer a máquina a ponto de distorcer a foto.
Durante uma campanha, o ideal é tirar mais de uma foto, pois deve-se saber que depois daquela foto, os modelos que pra ela posaram podem mudar sua postura, sua posição e podem se mover para um lado ou outro. A sabedoria da análise das pesquisas é saber observar tão bem as fotos a ponto de perceber que naquela foto, a modelo está mais propensa em se movimentar mais para a direita ou mais para a esquerda, e entender isso. Mas a premissa fundamental é que aquilo é uma foto de um momento específico.
Sobre a movimentação da opinião pública, isso merece uma análise mais profunda aqui nesse espaço numa próxima oportunidade. Voltaremos em breve ao assunto.
Até mais.

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