
Segundo os documentos analisados pela reportagem, essas empresas receberam, juntas, cerca de R$ 870 milhões entre 2022 e 2025. Em pelo menos 12 casos, os pagamentos começaram poucos meses após a constituição das empresas.
O Banco Master passou a operar com essa marca em 2021, depois de Daniel Vorcaro assumir o controle do então Banco Máxima, em 2019. Procurada, a assessoria de Vorcaro não comentou os dados.
Casos sob investigação
Parte das empresas aparece em investigações da Polícia Federal ou está ligada a pessoas investigadas em casos relacionados ao sistema financeiro. Há também registros de empresas com informações consideradas inválidas nos cadastros da Receita Federal.
Os dados, por si só, não permitem afirmar que as empresas tenham sido criadas exclusivamente para receber recursos do banco ou que os pagamentos tenham relação com atividades ilícitas. Especialistas ouvidos pela reportagem, porém, avaliam que algumas características identificadas podem justificar atenção dos órgãos de controle.
Um dos casos citados é o da Telure, constituída em 2023, que recebeu mais de R$ 110 milhões do Master. A empresa tem Fabia Franca como diretora, segundo seu cadastro. Ela também aparece como diretora da Nanook, que recebeu R$ 93 milhões, e da Utter, que recebeu R$ 48 milhões.
As três empresas receberam, juntas, mais de R$ 250 milhões. Segundo o levantamento, os cadastros de CNPJ apresentam informações inválidas, incluindo números de telefone com sequência repetida de algarismos. A reportagem não conseguiu contato com as empresas.
Alertas
O professor da FGV e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Rafael Alcadipani afirmou que empresas jovens podem ter justificativas legítimas para movimentações financeiras elevadas, mas avaliou que o volume identificado e os registros cadastrais deveriam ser analisados pelos órgãos de controle.
Outro caso citado é o da Metanoein, constituída em 2021, que recebeu R$ 102 milhões do Master. A empresa é alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em abril deste ano, uma decisão da Justiça Federal no Rio de Janeiro determinou medidas relacionadas a valores ligados à companhia, após pedido do Ministério Público Federal.
Outras empresas
Também aparece no levantamento a Copenhagen, constituída com capital social de R$ 40 e que recebeu R$ 58 milhões do Master. Artur Figueiredo, que era diretor da empresa, deixou o cargo em julho de 2025. No mês seguinte, seu nome foi citado na Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que investiga um esquema de crime organizado no setor financeiro.
Figueiredo afirmou à reportagem que seus atos na administração da empresa foram lícitos, negou qualquer vínculo com organizações criminosas e disse repudiar a associação de seu nome a esse tipo de atividade.
O levantamento integra documentos encaminhados à CPI do Crime Organizado e não estabelece, isoladamente, que os pagamentos realizados pelo Banco Master tenham origem ou finalidade ilícita.






