
Por Fábio Campos
O resultado da eleição que não deu um novo mandato a Eunício Oliveira (MDB) e conduziu para o Senado o empresário Luiz Eduardo Girão (PROS) presta-se a várias leituras. Para começo de conversa, trata-se de uma inequívoca derrota de Camilo Santana (PT). Afinal, o governador bancou o apoio à reeleição de Eunício, enfrentando tanto a dura oposição de Ciro Gomes (PDT) a essa tese quanto a resistência de uma parte do PT, personalizado em Luizianne Lins.
Durante a campanha, já ficou claro que o PDT não faria campanha para Eunício. Ao mesmo tempo, Ciro soltava seus mísseis contra o senador. A quantidade de eventos de campanha que juntou Cid, Camilo e Eunício foi notavelmente baixa para uma aliança, mesmo branca. Portanto, na prática, o PDT sabotou os planos de Camilo. Na Capital, não se viu o prefeito Roberto Claudio (PDT) se envolver na campanha do emedebista.
No Interior, os prefeitos, experts na linguagem e sinalizações da política, também se entregaram ao corpo mole. Deu no que deu.
A resultante não foi boa para Camilo Santana e nem para o prefeito RC. Porém, não se pode dizer que foi boa para Ciro e Cid Gomes. Girão, o vencedor, é fidelíssimo ao Capitão Wagner (PROS), que foi campeão de votos para deputado federal e que, certamente, mantém vivíssimo o projeto de disputar a Prefeitura de Fortaleza. Já o governador, perdeu um aliado em Brasília e viu aumentar a força política de um duro crítico das políticas de segurança do Governo.
É a velha história: não há vácuo em política. Os Ferreira Gomes, comandantes do grupo político que mantém a hegemonia no Ceará, ajudou a derrotar Eunício, mas não criou uma alternativa própria. Que não fosse do PDT, mas, nas entrelinhas da campanha, poderia ter articulado pontes com a candidatura da Dra. Mayra, tucana ligada a Tasso Jereissati, o maior aliado do passado e que caminha para não disputar novas eleições.







