
A diferença entre a tarifa média efetivamente paga por produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos e a de seus principais concorrentes aumentou após a rodada mais recente de taxações do governo de Donald Trump.
Segundo cálculo do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a desvantagem do Brasil passou de 0,8 ponto percentual para 7,5 pontos percentuais. Com isso, o país passou a ter o segundo pior acesso ao mercado norte-americano entre os principais parceiros comerciais dos EUA, atrás apenas da China.
Tarifa brasileira chega a 16,6%
O cálculo considera o peso de cada produto na pauta de exportações brasileiras para os Estados Unidos e as alíquotas efetivamente aplicadas, incluindo reduções e isenções.
Antes das novas sobretaxas, a tarifa média efetiva sobre os produtos brasileiros era de 10,3%, contra 9,5% para os concorrentes. Após as mudanças, a média brasileira passou para 16,6%, enquanto a dos demais países ficou em 9,1%.
A diferença se ampliou principalmente porque o Brasil passou a sofrer uma sobretaxa adicional de 25%, aplicada especificamente aos seus produtos, além das tarifas que atingem outros países.
Exportações podem perder competitividade
Para Sergio Vale, o aumento da diferença tarifária dá ao comprador norte-americano um incentivo maior para substituir fornecedores brasileiros por empresas de outros países.
O governo brasileiro estima que 47,3% das exportações do país são atualmente atingidas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, considerando as medidas recentes e a sobretaxa aplicada ao aço e ao alumínio em 2025.
A gerente de política comercial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Constanza Negri Biasutti, classificou o cenário como preocupante para a indústria brasileira.
Exportações aos EUA podem cair
Com base nos efeitos observados durante o período em que vigorou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, Vale estima que as exportações brasileiras para os Estados Unidos podem recuar entre US$ 1,7 bilhão e US$ 3,6 bilhões no primeiro ano.
O impacto poderia chegar a US$ 10 bilhões por ano em até quatro anos, caso o cenário tarifário permaneça.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 37,6 bilhões aos Estados Unidos, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), uma queda de 6,7% em relação a 2024.
Setores mais expostos
Entre os segmentos apontados como mais vulneráveis estão produtos químicos, móveis, calçados, têxteis e confecções. Nesses setores, a competição internacional é maior e as margens podem ser mais pressionadas pelo aumento das tarifas.
Commodities e produtos padronizados, como pedras, madeira, açúcar e sebo, têm maior possibilidade de serem redirecionados para outros mercados. Já produtos manufaturados de maior valor, como máquinas, podem enfrentar dificuldades adicionais por dependerem de contratos de longo prazo e processos de homologação.
Pequenas e médias empresas também tendem a enfrentar mais dificuldades para buscar novos mercados, segundo especialistas, devido ao maior custo de adaptação e diversificação das vendas.
Com informações da Folhapress






