
Por Frederico Cortez
cortez@focuspoder.com.br
De origem bíblica, mais precisamente do livro Gênesis, o conto da Torre de Babel é um dos mais fascinantes da história da humanidade. Em resumo. O objetivo da sua construção era fazer com que a edificação chegasse até o céu- habitação de Deus-, como também impedir que os homens fossem espalhados pela Terra. Ganância e concentração de poder, algo bem em comum com o Brasil de hoje.
Está lá. Claro, inconteste e inelutável. A Constituição Federal de 1988, conhecida também como “Constituição cidadã”, em seu art. 37, caput, dentro do capítulo VII que trata sobre questões afeitas à administração pública, vaticina que o Estado deve ser regido sob o princípio da eficiência, dentre outros. Fiquemos neste postulado axiológico. A “eficiência” na administração pública pode ser conceituada como o ato de maximizar os recursos públicos, para fins de comprar algo ou contratar determinado serviço público com o menor preço, maior quantidade e qualidade. Tudo em prol do bem maior, qual seja: a coletividade. Esta, também chamada de sociedade.
Novidade não é mais. O nosso país vem a passos largos caminhando, adentrando e transitando para um fim não tão feliz do ponto de vista político-administrativo, se assim continuar com essa viagem individual e egoísta para o futuro que se aproxima.
Sociedade nenhuma, convive, sobrevive ou evolui sem antes adotar o princípio da unidade cidadã, como assim o nomeio. Não basta apenas formar grupos ou clãs políticos, ideológicos, ou que tenha uma identidade em comum. Há que se fazer presente o espírito da cidadania imbuído no papel de guia, de mentor e de orientador, além do animus de união. Reformas são necessárias e oportunas.
Convido os caros leitores a fazermos uma conta simplista. De quanto seria a economia para os cofres públicos, caso fossem extirpados o uso de carros oficiais em demasia, auxílios moradia para quem tem casa no local onde exerce a sua função, gratificações por apenas cumprir o seu trabalho, verbas e vantagens financeiras de políticos, etc.? Resposta. Uma quantia nada desprezível, garanto.
Verdade seja única, as instituições públicas brasileiras não “conversam” entre si! Aqui se aplicam os sábios ditos populares: “Matheus, primeiro os teus” ou “toma que o filho é teu”. Ou seja, total ausência de sentimento público, republicano e de vontade coletiva na busca de uma solução para determinada problemática.
Voltemos agora para o início do artigo. Javé (Deus) ao descer e ver que o propósito da construção da Torre de Babel era o desvirtuamento da humanidade, tratou logo de embaralhar a linguagem dos que ali habitavam para que esse fim não fosse alcançado. Assim, proclamou: “Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que não entendam a linguagem um do outro”.
Assim, o Brasil segue inversamente a cartilha do conto da Torre de Babel. Trilha pela diversidade de “línguas, dialetos, sinais e gestos” político-ideológicos, no desejo de saciar a vontade unipessoal daqueles que detêm o poder para modificar o país para o melhor. A diferença é que na Torre de Babel o uso de uma única linguagem era o elemento fundamental para atingir um resultado nefasto, segundo a religião. Já aqui, é o contrário. Não se pratica um idioma único para o bem maior. Há várias “línguas” no desejo de conquistar uma vantagem individual, ao invés do bem da comunidade.
Neste país tropical, vê-se que a falta de um diálogo alinhavado entre os nossos dirigentes e políticos corrobora para o distanciamento do objetivo principal de uma sociedade organizada. Ainda estamos em busca do tão sonhado bem maior, a coletividade!







