
O governo do presidente Donald Trump adiou os planos de reduzir tarifas de importação sobre a carne bovina nos Estados Unidos. A informação foi publicada pelo The Wall Street Journal nesta segunda-feira (11).
A medida vinha sendo discutida como forma de conter a alta dos preços da carne no mercado norte-americano.
Recuo: Segundo o jornal, o anúncio poderia ocorrer ainda nesta segunda-feira, mas acabou adiado enquanto a Casa Branca finaliza detalhes da proposta.
O recuo também ocorreu após pressão de parlamentares republicanos e de pecuaristas americanos.
Suspensão das tarifas: A proposta em análise prevê a suspensão da tarifa aplicada às importações que ultrapassarem as cotas anuais de entrada de carne bovina nos EUA.
O Brasil passou a pagar tarifa de 26% após superar o limite de 65 mil toneladas exportadas aos norte-americanos ainda em janeiro deste ano.
Dados do governo dos EUA mostram que o Brasil exportou US$ 795 milhões em carne bovina para o país no primeiro trimestre de 2026, alta de 21% em relação ao mesmo período do ano passado.
Brasil: Caso a medida avance, frigoríficos brasileiros devem ampliar presença no mercado americano.
Entre as empresas potencialmente beneficiadas estão JBS, Minerva Foods e Marfrig.
Hoje, os Estados Unidos aparecem como o segundo principal destino da carne bovina brasileira, atrás apenas da China.
Dependência: Segundo a Abiec, a China concentra 48,1% do volume exportado pelo Brasil.
Em abril, as exportações brasileiras de carne bovina somaram 288,7 mil toneladas. Desse total, 42,4 mil toneladas tiveram os EUA como destino.
O movimento pode ajudar o Brasil a reduzir a dependência do mercado chinês.
China em pressão: O cenário também ganhou pressão após o governo de Xi Jinping informar que o Brasil já atingiu metade da cota anual de exportação de carne bovina para o país asiático com tarifa reduzida.
Quando o volume ultrapassar 1,1 milhão de toneladas, a carne brasileira passará a pagar tarifa de 55%.
Mercado: Além das tarifas, o governo Trump avalia ampliar empréstimos para pecuaristas americanos e flexibilizar exigências regulatórias do setor.
A gestão americana também abriu investigação sobre supostas violações concorrenciais na indústria da carne, envolvendo empresas brasileiras com operações nos EUA.
Bolsa: Após a divulgação da reportagem do Wall Street Journal, ações de frigoríficos brasileiros registraram alta.
Os papéis da Minerva Foods avançaram 4,8%, enquanto a Tyson Foods recuou 1,9% no mercado americano.
Pressão: Especialistas avaliam que a redução das tarifas pode aliviar a inflação dos alimentos nos Estados Unidos, diante da alta dos preços da carne e das tensões comerciais recentes.
O aumento das restrições internacionais e a disputa global por oferta também seguem pressionando os preços no mercado mundial de proteínas.






