
O Brasil ampliou fortemente as compras de diesel da Rússia em março e abril de 2026, após mudanças no fluxo global de fornecimento de combustíveis. Segundo dados do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o país importou US$ 1,76 bilhão em diesel no período, sendo 81,25% provenientes da Rússia.
Liderança: A Rússia se consolidou como principal fornecedora do combustível, com US$ 1,43 bilhão em vendas ao Brasil nos dois meses analisados. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com US$ 112,92 milhões, equivalentes a 6,42% do total.
Abril: Somente em abril, a dependência do diesel russo aumentou. As compras somaram US$ 924 milhões, o que representa 89,84% das importações do mês. Os Estados Unidos responderam por 10,98%, enquanto o Reino Unido teve participação residual.
Crescimento: A escalada é rápida. Em fevereiro, o Brasil importou US$ 433,22 milhões da Rússia. O volume subiu para US$ 505,86 milhões em março e quase dobrou em abril.
Mudança de fluxo: Antes do conflito no Oriente Médio, parte do diesel importado vinha de países da região, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Com a interrupção desses fluxos, a Rússia assumiu espaço central no abastecimento brasileiro.
Medidas: O governo federal adotou ações para conter o impacto no preço do combustível.
Entre elas:
- R$ 10 bilhões em subsídios para importação e comercialização
- Isenção de PIS/Cofins sobre o diesel
- Corte estimado de R$ 0,32 por litro nas refinarias
Segundo a equipe econômica, a perda de arrecadação foi compensada pelo aumento das receitas com royalties do petróleo.
ICMS: Foi criado um programa de incentivo para redução do ICMS estadual sobre o diesel importado, com divisão de custos entre União e estados. O impacto estimado é de R$ 1,20 por litro nas bombas.
A subvenção adicional ao diesel produzido no país pode chegar a R$ 0,80 por litro, com custo estimado de R$ 3 bilhões mensais.






