
Por Edvaldo Araújo
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O clima esquentou de vez na OAB-CE. Nesta quarta-feira, 25, o secretário-adjunto e Corregedor Geral da OAB-CE, Fábio Timbó divulgou um manifesto que afirma que está “rompendo” com a Presidência da Ordem e que fará oposição. “Já não há espaços para convivência com esta postura servil da Presidência da Ordem. Precisamos construir um novo momento. A Ordem e a advocacia cearense precisam disso”. As divergências internas não são novidades, porém, a decisão de Timbó deve antecipar as discussões sobre a eleição da OAB-CE, que acontece em novembro próximo.
Segundo Timbó, o rompimento não significará sua renúncia. “A Diretoria é ampla, plural. Porém temos uma entidade presidencialista , cuja a maioria das decisões partem do Presidente. Ficarei na diretoria, mas quero deixar claro que esta postura servil não irei mais tolerar”, afirma.
Timbó tem tido constantes atritos com o presidente da OAB-CE, Marcelo Mota. Responsável pela conclusão da obra da nova sede, Timbó preferiu fazer uma entrega simbólica do prédio ao presidente do Conselho Federal, Cláudio Lamachia. E mais recentemente, durante uma reunião do Conselho, Mota e Timbó discutiram abertamente. Mota acabou encerrando a reunião, quando Timbó ainda se pronunciava na tribuna.
“Este desconforto já estava visível. Mas quero deixar explícito. Este silêncio, este conformismo da Presidência, que tem medo de se pronunciar sobre tudo, não é unânime. Não podemos mais ser complacentes com esta postura”, explica Timbó.
Veja a íntegra do Manifesto:
MANIFESTO DE ROMPIMENTO
Caríssimos colegas, advogados e advogadas,
Refleti, profundamente, antes de tomar a presente decisão que peço licença para comunicar-lhes, neste ensejo.
Os longos anos, devotados à honrada Seccional Cearense da Ordem dos Advogados do Brasil, fizeram-me ponderar sobre a resolução que compartilho com a minha gloriosa classe: ROMPER COM A MEDIOCRIDADE QUE SE ASSENHOROU DOS ATOS PRESIDENCIAIS DA OAB/CE.
Posturas centralizadoras, desprovidas do necessário senso democrático que deve inspirar as condutas e ações de um gestor, sobretudo em se tratando de uma instituição da envergadura política e social da Ordem dos Advogados do Brasil, dentre elas a lentidão e a ausência de isonomia no trato das questões que envolvem a defesa das prerrogativas de nossa classe, inclusive com a postergação dos atos de desagravo, pendentes de apreciação, por exemplo, foram episódios que contribuíram para esta minha decisão.
Outro inconformismo, de minha parte, foi o total descaso com os pleitos da jovem advocacia, especialmente demonstrado com as restrições impostas na politica de concessão de descontos na anuidade, em cursos ofertados pela ESA, onerando, ainda mais, o exercício da advocacia e representando um verdadeiro retrocesso, numa conquista já consolidada pela classe.
A par destas questões, ínsitas aos interesses classistas, no que tange à sua missão social, a presidência esquivou-se do seu protagonismo, diante dos desafios que a sociedade enfrentou e vem enfrentando, lamentavelmente, sem o arrimo institucional necessário, a exemplo do drama que é a insegurança pública que grassa em nosso Estado, sob o olhar leniente da entidade.
Finalmente, considero inadmissível para um presidente da OAB, uma atuação tímida e inexpressiva, nas tristes e recentes mortes dos colegas advogados, ceifados de suas vidas, violenta e covardemente, o que mereceria, para além de uma nota de pesar, uma enérgica resposta e uma firme providência da instituição, conclamando e envolvendo toda a advocacia, nessa luta e indignação, pois, “a injustiça feita a um é uma ameaça feita a todos”, no lúcido pensamento de Montesquieu. É inaceitável permitir-se silenciar a advocacia!
Seguirei, todavia, fiel aos meus propósitos, na inegociável defesa de meus pares e exigindo, ao lado dos advogados e advogadas, uma justiça mais célere e mais eficiente. Ser forte é preciso.
Tenho dito!
Fortaleza-CE,
Fábio Timbó
Advogado







