Governadores alinhados a Bolsonaro já acenam ao novo governo

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Lula Debate Band. Foto: Ricardo Stuckert

Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

Governadores aliados de Jair Bolsonaro já começaram a se aproximar do futuro governo. Enquanto o presidente não reconhece oficialmente a derrota nas urnas, aqueles que o apoiaram na campanha tratam o resultado da eleição como fato consumado. As dificuldades para equilibrar as contas públicas fazem chefes do Executivo nos Estados recorrerem ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em busca de acordos. Pragmáticos, eles também se posicionam contra manifestações que defendam intervenção militar.

Sob o argumento de que a relação com o Palácio do Planalto precisa ser mantida e passa pelas bancadas federais, governadores não escondem a preocupação com a redução do ICMS sobre os combustíveis, iniciativa que foi tomada por Bolsonaro durante o período eleitoral e atingiu o caixa dos Estados.

Agora, eles vão pedir ajuda a Lula. O assunto é tratado como prioritário e emergencial.

Na prática, quem esteve ao lado de Bolsonaro na disputa evita tanto incentivar o questionamento ao resultado das urnas como fazer críticas ao presidente. O objetivo é afastar qualquer ruído no momento em que a relação com Lula vem sendo construída

Um dos mais influentes apoiadores de Bolsonaro na campanha, o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), admitiu interesse em se reunir com Lula para levar a ele demandas do Estado. “Meu estilo não é o de jogar pedra e também não é o de ser um bajulador. Eu sou muito prático. O que for melhor para Minas, estaremos discutindo”, afirmou Zema ao jornal O Estado de S. Paulo.

A 3.875 quilômetros dali, o governador reeleito do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), tem opinião semelhante. “Eu não preciso de alinhamento político, mas preciso de diálogo com o governo federal”, afirmou Lima, outro aliado de Bolsonaro.

O amazonense disse ter interrompido o contato com o presidente após o segundo turno, na tentativa de reequilibrar as contas depois da redução do imposto sobre os combustíveis. “O Estado e o governo são estruturas que caminham automaticamente. As coisas não deixam de funcionar. Bolsonaro agora passa da situação para a oposição e isso é normal no processo democrático”, disse.

Farinha

Na Região Norte, cinco dos sete governadores eleitos apoiaram o presidente. Com novo mandato conquistado no Acre, Gladson Cameli (PP) também decidiu estabelecer contato com Lula. Cameli se encontrou com o presidente eleito na COP-27, no Egito.

“Em dois minutos de conversa, já pedi dinheiro e falei das BRs”, afirmou o governador. “Ele me pediu a farinha de Cruzeiro do Sul e depois da posse já vou levar.”

Cameli criticou os bloqueios de estradas feitos por apoiadores de Bolsonaro e pediu ao Ministério da Justiça que envie as Forças Armadas ao Estado para desobstruir os trechos interditados.

Foi assim que também agiu outro aliado do presidente: o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), reeleito em outubro.

Durante a COP-27, Mendes passou o cargo temporariamente para o vice, Otaviano Pivetta, que mandou um recado aos manifestantes radicais, após a Polícia Militar ser escalada para desobstruir as estradas. “Partiu para a baderna, a gente vai para cima com as nossas forças de segurança, como foi feito”, declarou.

Coube ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), convocar uma reunião de seus colegas eleitos com Lula, em Brasília, no dia 7 de dezembro. O encontro, no entanto, foi adiado.

Ibaneis não informou os motivos do cancelamento, mas uma nova data deve ser marcada antes da posse, em 1.º de janeiro.

Reeleito com o apoio de Bolsonaro, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), já conversou com Lula e o cumprimentou após o resultado da eleição.

Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que venceu a disputa para o Palácio dos Bandeirantes após ser apadrinhado por Bolsonaro – de quem foi ministro da Infraestrutura -, classificou o resultado das urnas como “soberano”.

“Vamos olhar o interesse para o Estado de São Paulo”, avisou o governador eleito, logo após o segundo turno, no último dia 30. “Observem que, para que a gente possa trazer políticas públicas, é fundamental o alinhamento com o governo federal.”

‘Preparado’

Um dia depois da eleição, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) – que conquistou o segundo mandato e é visto como bolsonarista de carteirinha -, disse estar “preparado” para Lula

No Sul, os dois governadores eleitos com apoio de Bolsonaro durante a campanha – Ratinho Júnior (PSD), no Paraná, e Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina – também já manifestaram disposição para o diálogo com Lula.

Em Florianópolis, aliados veem a situação de Jorginho como delicada, uma vez que a maioria do eleitorado critica o petista e apoia os atos de Bolsonaro. O senador e governador eleito sinalizou, porém, que pretende participar da reunião com Lula, sem demonstrar adesão nem amizade, mas ouvindo e evitando destruir pontes.

Na prática, os governadores devem pedir ao futuro presidente que se comprometa com um novo pacto federativo. Trata-se de uma pauta antiga, sempre posta à mesa nas trocas de governo.

A reforma tributária é prioridade para os Estados, mas a medida só será apoiada se envolver maior divisão do dinheiro arrecadado com impostos entre governadores e prefeitos.

Recursos para abastecer os Estados com vacinas e medicamentos contra a covid-19, além de uma compensação financeira por perdas com a redução de impostos sobre a gasolina e o diesel, também compõem a lista de pedidos a ser encaminhada por apoiadores de Bolsonaro a Lula.

Agência Estado

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Vídeo: As marcas dos tiros no peito de Cid Gomes e o ruidoso silêncio de uma ruptura

Entre o discurso do colapso e alianças instáveis, Ciro tenta reconstruir seu poder no Ceará

Vídeo de Alcides liga Ciro ao núcleo de Flávio logo após caso Vorcaro

Relação de Flávio com Vorcaro faz Michelle entrar no radar presidencial

Alece vai batizar rodovia do Cumbuco com nome de Lúcio Brasileiro

AtlasIntel detecta erosão do “bônus nordestino” de Lula e acende alerta para 2026; Ceará é ponto importante

J&F, holding dos irmãos Batista, amplia presença no Ceará com compra de termelétrica em Maracanaú

Ciro voltará à disputa pelo Governo do Ceará após 36 anos

Queda da violência esvazia principal discurso da oposição no Ceará

O Ceará em outro patamar: energia, dados e poder

Pesquisa Quaest mostra disputa presidencial em 10 estados, incluindo o Ceará

Obituário: Lúcio Brasileiro 1939-2026

MAIS LIDAS DO DIA

Flávio Bolsonaro critica fim da escala 6×1 e defende salário por hora trabalhada

Pesquisa Big.

72% dos nordestinos apoiam fim da escala 6×1, aponta Quaest

52% dos brasileiros são contra redução de penas do 8 de janeiro, aponta Quaest

Big Data: Elmano e Ciro travam batalha milimétrica pelo Abolição; aprovação de 58% dá fôlego ao governador

Big Data: Corrida ao Senado no Ceará tem Cid Gomes (PSB) e Capitão Wagner (União) na liderança em cenário pulverizado

Fortaleza fica em 18º entre capitais com melhor qualidade de vida no Brasil

Ceará lidera produção e exportação de calçados no Brasil em 2025

Alece propõe novo Código de Ética com regras para redes sociais e IA