
Por Edson Santana
Post convidado em celebração ao Dia do Advogado
“ O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não são sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam.”
A frase de Guimarães Rosa, expressa com pertinência a vida do menino Edson Santana, filho caçula de uma família antiga do Cariri, criado em Juazeiro do Norte, a capital do sertão, onde começou a trilhar as veredas do conhecimento e da vontade de vencer, herdados dos pais.
Desde a infância, tive mais facilidade, pela altura e pela vivacidade, de colher os melhores frutos das mangueiras e pés de siriguela. Mas também aprendi a reconhecer limites e não insistir naquilo que não dava certo.
Saímos de Juazeiro, meus irmãos e eu, para estudar na capital. Numa família de talentos devotados à área de saúde, quis o destino que eu fosse o primeiro advogado da família. Formado, conheci as dificuldades de conseguir o primeiro cliente, pois uma certeza eu tinha: não queria ser funcionário público, delegado, juiz ou promotor. Queria ser Advogado.
Logo o escritório começou a crescer e o passo seguinte foi a dedicação à politica institucional para dar minha contribuição à classe. Muito jovem ajudei a fundar a A.J.A., Associação dos Jovens Advogados, da qual fui um dos primeiros presidentes e multipliquei por 1000 o número de associados.
O passo seguinte foi junto à OAB, onde fui conselheiro e ajudei a criar duas comissões: a OAB Escola Comunidade e a OAB em Defesa da Pessoa com Deficiência. O caminho natural foi a busca da Presidência, com duas campanhas de oposição memoráveis, sendo que a segunda, em 2015, nos colocou em segundo lugar, num cenário onde a oposição somou mais votos que a situação. As bandeiras de campanha tinham como principal foco a defesa do advogado e a inserção do jovem advogado no mercado de trabalho.
Com o resultado, democrata que sou, aceitei a escolha da classe e esperei que os novos dirigentes conduzissem a instituição para aquilo que sempre foi o principal objetivo da Ordem: defender o advogado e servir de guardiã da sociedade. Retirei minhas críticas e fui cuidar do meu escritório, me propondo a não obstacular o trabalho da nova diretoria.
Infelizmente quase três anos se passaram e o que vimos foi a divisão interna em grupos de interesses e o apequenamento da instituição, além de uma sede vazia e sem serventia a não ser lustrar egos. Entre a maioria dos advogados, a sensação de abandono e o desejo de mudança crescente.
Eis que se avizinha um novo pleito e a esperança de mudanças floresce novamente na classe advocatícia.
Decidido a continuar o trabalho junto aos meus clientes, havia decidido não mais participar deste embate. Mas eis que a insistência dos colegas que vêem em mim uma liderança e idéias capazes de contribuir para resgatar a nossa ordem, me arrancam do trabalho e fazem acender a velha chama do servir. Eis-me cerrando fileiras junto de um grande grupo de advogados que debate propostas e nomes para uma nova Ordem, onde já emerge uma ideia forte e a única capaz de trazer as transformações que a classe tanto precisa.
O primeiro passo é o debate, dia 14 de agosto, denominado RE-UNIÃO PELA ORDEM, com o principal intuito de ouvir e debater soluções para um projeto comum de mudanças. O evento será às 19 horas, na Rua Gilberto Studart, 55, Cocó, no auditório do Duett’s Center. Toda a classe advocatícia está convidada.
Para encerrar, lembro novamente Guimarães Rosa:
O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.
Com muita coragem, vamos à luta, advogados!
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