
Por Deborah Sales Belchior
Post Convidado
As rápidas transformações do mundo moderno e a profunda recessão da economia brasileira impactam de modo indelével o exercício da advocacia. Atualmente, elevado conhecimento jurídico e títulos acadêmicos não representam indicativos absolutos de sucesso e sinônimo de excelência. O cliente quer mais.
Hodiernamente, espera-se que o advogado tenha uma visão pró-negócio, ou seja, participe ativamente da estratégia da empresa. Neste cenário, consultas e pareceres não são mais elaborados visando apontar o risco da iniciativa do empresário que, sozinho, decide o caminho a trilhar.
Nos tempos atuais, o advogado participa ativamente da construção das novas iniciativas empresariais, já considerando as consequências legais de cada ação adotada. As soluções que ele recomenda, pautadas na lei, podem até ser ousadas mas, necessariamente, precisam ser céleres tanto no seu planejamento como na sua execução.
No que tange à Advocacia Contenciosa, relevância equivalente ao cumprimento dos prazos processuais assume agora o atendimento de fluxos e prazos operacionais estabelecidos pelo cliente, porque já se percebeu a importância dos seus controles tendo em vista a inegável repercussão dos custos e resultados dos processos nos fluxos de caixa das empresas.
Impõe-se, agora, ao advogado conhecer amiúde a organização interna do seu cliente e não apenas emergir nas demandas a ele confiadas. Atuar com diligência, zelo ou com o emprego da melhor técnica possível não é suficiente. Embora não esteja obrigado à ocorrência do resultado favorável, o advogado é hoje cobrado por ele.
Por outro lado, as grandes corporações estão em Compliance estratégico e exigem dos escritórios que lhes prestam serviços o mesmo grau de maturidade na sua gestão. Exige-se, ainda, planos relativos à segurança da informação e de continuidade de suas atividades em casos de queda energia, incêndios nas suas dependências ou eventos equivalentes.A Advocacia não pode parar.
Finalmente, os produtos da quarta revolução industrial, tais como a inteligência artificial, já estão presentes nos escritórios de advocacia e seus efeitos sobre o trabalho dos advogados importam mais assertividade e eficiência, sem os substituir.
Ganha-se em redução de tempo e aumento de escala para busca de dados, informações e conhecimento quando robôs realizam em segundos providências pertinentes ao exercício da sua profissão. Investimentos em tecnologia e gestão do conhecimento estão agora alinhados ao capital intelectual e, juntos, formam os pilares da moderna advocacia.
Distâncias físicas não são mais empecilhos e os escritórios do mundo inteiro estão conectados entre si. Resta saber se os cursos de direito atualizaram suas grades curriculares porque o futuro na advocacia já chegou e começa a invadir também os tribunais.






